Conversando sobre: os 5 BCs da Betta

Conversando sobre: os 5 BCs da Betta

Uma das melhores missões do DiasdeCacho é procurar entender a relação das pessoas em transição com o cabelo delas. Esses dias, me surpreendi com a história da Roberta, ou melhor, com as transições da Betta, dona do canal e Instablog Oxente Neguinha.

Mas o que me chamou mais atenção? Ela já fez cinco BCs. Isso mesmo, cinco cortes para tirar química. Hoje ela está na sexta transição, sem pretensões de cortar. Vamos entender melhor essa história?

> De onde vem essa coragem?

– “Minha vontade é tão intensa de saber como meu cabelo realmente é, tenho tanta esperança que um dia me aceitar da maneira que eu sou e ache bonito…Mas tenho a consciência de que talvez não forme a curvatura que eu quero nos meus fios, que pode não ser da maneira que imaginei. Mesmo assim quero saber até onde isso irá! Então a resposta correta para “de onde vem essa força” é determinação e coragem. É dessa curiosidade de poder saber como tudo vai terminar, e também a esperança de, mesmo ainda não gostando do jeito que ele está, sei que um dia ele ficará do jeitinho que ele bem quer e tenho a plena certeza que vou amar tudo isso!

> 5 BCs? Foi preciso isso tudo? Conta um pouco como foi essa experiência!

oxente neguinha3– Sim. Foi preciso! Foi no São João de 2015 quando decidi que entraria em transição, a primeira… fiquei de junho até setembro, só fazendo coque e texturização. Mas, quem disse que eu tive paciência? Dia 5 de setembro de 2015, falei: Mãe, é hoje. Ela respondeu “Hoje o que menina?”E eu disse: Que eu vou cortar meu cabelo! Lá vou eu para o salão, a moça perguntou se poderia cortar tudo. Eu respondi que sim. “Tem certeza?” Respondi que sim novamente e ela começou a fazer o meu big chop.

Betta conta que a mãe dela não acreditou que ela tinha tido coragem de cortar tudo de uma só vez. Comentou no salão e continuou falando quando chegaram em casa. Aquilo deixou Roberta pra baixo.

– Já é um procedimento difícil, você ainda não tem apoio de quem você mais espera… No sábado eu tinha um trabalho fotográfico para fazer (eu era a modelo) e ela questionando como seria, pós BC. “Você vai assim?” Na época Beleza Natural estava super em alta. Adivinha ? Fui linda e plena achando que iria resolver meu pepino. Só fez piorar porque alisou tudo, dois dias depois eu coloquei mega hair, quando eu tirei, tava só o caco o cabelo.

oxente neguinha2Cortei novamente, meu segundo BC, e até então eu não parava de relaxar a raiz, na ilusão de que meu cabelo só iria ficar bom assim. Tinha a mania de ir tirando as pontas do meu cabelo, porque alisava e ficava ralo. Teve um dia que eu cortei demais, desproporcional, entrei em prantos e quis botar tranças achando que iria melhorar. Mas quando eu tirei, estava do mesmo jeito… fiz novamente BC. Repeti esse processo de tirar tranças, cortar e alisar até o quinto e último BC.

>E agora, parou? 

Há sete meses não uso nenhum procedimento químico.  Atualmente coloquei tranças boxbraids e vou ficar assim por tempo indeterminado, até me resolver com meu “amorzinho”!

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Que missão, heim, gente?! Mas vale a pena! Acompanhe a transição de Betta pelo Instagram dela! Vou repetir aqui: Oxente Neguinha | Ela também fotografa: @bettafotografias . 

Beijos,

Bruna Dias

 

Nota sobre meu bigchop

Nota sobre meu bigchop

Ontem eu e meu cabelo completamos 365 dias curtinhos. Isso mesmo, fiz um ano de bigchop. Já falei tanto sobre ele, que decidi escrever só uma declaração. A transição é uma escolha feliz e sofrida. E a decisão do grande corte também. Ninguém deve se sentir pressionado a fazê-lo, bem como ninguém deve ser obrigado a entrar em transição.

O bigchop, pra mim, foi tudo aquilo que disseram: uma vontade, uma libertação, a melhor coisa que fiz durante toda transição. Com apenas 6 meses, já parecia impossível viver com duas texturas.

Hoje vejo como meu cabelo cresceu muito mais rápido depois do corte e como eu consegui cuidar melhor dele. O principal é olhar no espelho e não precisar me preocupar com as partes lisas. O bigchop é como aquela imagem que todas as meninas em transição já devem ter visto: você tira tudo que cobre você e, de repente, você floresce.

Bom bigchop para todas que decidirem que é a hora. Um ano depois não tenho vergonha de admitir que fui corajosa.

Beijos,

Bruna Dias

Transição Capilar passa!

Transição Capilar passa!

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Neste domingo lindo de sol, vamos fazer uma conexão Rio-São Paulo! A conversa de hoje é sobre a transição da paulista Gabriela Macedo, do Gabi em Transição. Antes de tudo, indico muito seguir a Gabi no Instagram e no Youtube (só clicar nos links!), ela é SUPER simpática e contou tudinho sobre a sua transformação pra mim.

Adianto também o principal recado dela pra quem está em transição:

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gabriela hojeAgora vamos conhecer a história da Gabi?? Ela começou sua transição em fevereiro de 2016. Sua última química foi em novembro de 2015. Decidiu parar de alisar por cansar do cabelo que tinha, ralo nas pontas, com cor indefinida e sem vida. E também por um fato que a deixou muito curiosa:

“Uma menina do colégio disse que iria parar de alisar o cabelo e deixar crescer natural. Até aí, não sabia o que era transição capilar e fiquei imaginando ‘Essa menina está louca? Deixar o cabelo crescer sem alisar?’ Mal sabia eu que um tempo depois ia entrar em transição capilar também”😂😂

Gabriela diz que nunca pensou em desistir, mas que não descartava a ideia de que se tudo desse errado, e se tivesse vontade, voltaria a alisar os cabelos um dia. Também não teve  incentivo da família ou de pessoas próximas, na verdade, eles criticavam e achavam feio, diziam até que os cachos não iriam voltar! – Que absurdo, né?!!! Determinada como é, ela foi até o final, e está firme e forte até hoje. O Instagram é um porto seguro que a ajuda muito. “São os seguidores daqui que me incentivam a continuar a ajudar e fazer as publicações. Recebo muitas mensagens lindas e que me deixam muito feliz!”, conta.

o que achei (5)Inspiração é a palavra. A blogueira Nina Gabriella foi a principal inspiração de Gabi. “Amo ela de paixão! Enquanto eu estava em transição sempre assistia os vídeos dela e amava muito. Aliás, assistir diversos vídeos no YouTube sobre o assunto me deixava cada vez mais inspirada a continuar em transição”.

Dá pra ver nas fotos que a Gabi deixou o cabelo crescer bastante antes do BC (1 ano e 5 meses). Sobre a experiência do grande corte, ela confessa que quando cortou o cabelo amou muito.

De verdade, achei incrível, mas depois de uns 2 meses eu fiquei em uma bad de 1 semana lamentando e achando que meu cabelo estava feio hahahha, era besteira! Depois dessa semana minha autoestima voltou e eu tornei a amar meu cabelo e nunca mais tive essas crises! Mas nunca me senti menos mulher ou menos poderosa por ter um cabelo mais curto.

gabiemtransicao.png 2Em relação ao tempo do cabelo crescer, ela simplesmente desencanou. Depois do famoso bigchop o cabelo vem crescendo tão rápido que ela está bem relax em relação a isso! “Dê tempo ao tempo e tudo vai dar certo, é bem legal curtir cada fase do seu cabelo e viver várias experiências com ele”. ❤  Gente, estou ainda mais apaixonada por essa menina! Ela passou também várias dicas poderosas para cuidar dos cachos. Dá uma olhada!

ASPASMeus principais cuidados atuais com o cabelo são: Fazer umas duas hidratações na semana pelo menos e ter um condicionador poderoso! Gosto também de em 15 ou 20 dias lavar meu cabelo com um shampoo anti resíduos pra deixar o couro bem limpinho, aí logo em seguida faço uma hidratação ou nutrição power e selo as cutículas com um condicionador.

Na semana eu gosto de usar um shampoo perolado que não agride tanto os fios e matem meu cabelo limpo, mas também hidratado! Ah e os cremes de pentear são essenciais pra uma boa finalização, não precisa ser caro pra ter um resultado ótimo! Eu sou a prova disso rs Adoro um creme barato e que funcione muito bem”.

Foi um prazer conversar com você, Gabi! E aí, curtiram o bate papo? Me manda sua história também! É só mandar um oi clicando aqui! ❤ 

Bruna Dias 

A Transição da Eliane!

A Transição da Eliane!

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Pra quem você quer ser referência? Começo com essa pergunta porque hoje voltamos com a categoria “Conversando Sobre” com uma história muito especial. Vamos falar sobre a transição da Eliane Silva. Eu e Eliane nos acompanhamos no Instagram e eu fico feliz de saber que uma ajuda a outra a superar os momentos difíceis dessa fase e a comemorar cada etapa que a gente ultrapassa.
Eliane alisou o cabelo por vinte anos. Achava seus fios naturais feios e sem forma. Até que ano passado, sua filha cacheada de 5 anos perguntou se era bom ter cabelo liso. “Eu já não estava satisfeita com o alisamento, meu cabelo parecia uma palha… a pergunta da minha filha me chocou”, conta.

elaine silva

Foi nesse momento que Eliane percebeu que ela era a referência pra sua filha.
Com um ano de transição, as duas se orgulham dos cachinhos: “Ela ama os cachos e se orgulha daquilo que Deus nos deu. Não é fácil ser cacheada, dá bastante trabalho, mas a satisfação é grande”.
“Hoje somos mãe e filha cacheadas, nos amamos como somos e isso é maior que qualquer padrão ou ditadura de beleza”.
Que história linda, né?! Força pra esses cachinhos dourados!
Vamos trazer mais histórias curtas que ilustram como as pessoas passam pelas fases da transição e como é importante a gente se ajudar e se sentir representada. Quem quiser mandar sua história sinta-se a vontade, estamos juntas!
Beijos, Bruna Dias 
Minuto em dia: Cabelo cai mais na transição

Minuto em dia: Cabelo cai mais na transição

blog

Da série “parece estranho, mas é normal”: o cabelo cai mais na transição capilar. Quem está ou passou por esse processo deve ter percebido o chão do banheiro cheio de fios de cabelo. Ainda que isso seja assustador, principalmente neste momento em que tudo que queremos é que o cabelo cresça e cacheie o mais rápido possível, não há motivos para se preocupar. Se você reparar, o cabelo não está caindo, ele está quebrando!

Claro que eu li sobre isso em vários sites, depois de me descabelar de nervoso. Uma dica é dar uma olhada no manual da transição capilar , do site Desventuras de uma cacheada.

Entendendo melhor: o que acontece na maioria das vezes é que o cabelo quebra na divisão entre o cabelo natural (fios novos) e o alisado (parte do fio com química). Isso ocorre porque nosso cabelo “novo” é divo naturalmente! Mais forte e resistente, fragilizando a parte que já sofreu muito com químicas.

Algumas saídas para amenizar a quebra:

Evitar pentear o cabelo seco – Pentear o cabelo seco pode quebrar os nós que se formam nos nossos fios. Na hora de pentear o ideal é dividir o cabelo em partes para desembaraçar

Evitar penteados apertados – Esses penteados tipo rabo de cavalo podem esticar demais os fios ou marcá-los em alguns lugares, fazendo com que quebrem

Seguir o cronograma capilar – O cronograma capilar, a rotina de cuidados e o uso de produtos adequados para cada tipo de cabelo ajudam fortalecer os fios, evitando quebra ou queda.

E ai, como tá sua transição?!

Inspirações e Fontes: Desventuras de uma cacheada + Maquiada e Cacheada 

Um beijo, Bruna

Texturização com bigudinho

Texturização com bigudinho

Bom domingo! Esse fim de semana foi bem família, e como percebem, voltei às atividades aqui no blog. Hoje trouxe uma visita ilustre! Minha mãe!!! Ela vai falar sobre texturização. Isso mesmo, ela está há 3 meses sem química nas madeixas, completou 1 mês de cronograma capilar (orgulho define!). Resolveu dar uma disfarçada no cabelo que está crescendo e mostrar para vocês! (Ela não quer chamar esse período de transição, mas vamos lá).

Eu já comentei aqui que muitas meninas tentaram texturizar o cabelo para disfarçar as duas texturas e ficaram bem frustradas. Eu mesma tentei e não curti muito o resultado, preferia amassar mesmo os frios, fazendo fitagem.

Mas não é que a minha mãe consegue um resultado muito legal? O pacotinho com 12 bigudins custou R$ 6,00, ou seja, são bem baratos!

Ficou curiosa(o)? Com a palavra, mamis:

Como fazer – TEXTURAÇÃO COM BIGUDINS 

Com cabelo seco, umidificar usando apenas água no borrifador.

Passar creme de pentear (leave-in) e enrolar o cabelo  nos bigudins, em mechas pequenas. Espera secar completamente, o que dura mais ou menos 1h.

Depois desse tempo, retirar os bigudins. O cabelo ficará todo enrolado, para dar volume, passe óleo nas mãos e vá soltando os cachos, SEM pentear com pente ou escova (para não desmanchar os cachinhos). Vá “penteando” com as mãos.

Espia só:

Durante a transição (1)

 

Durante a transição (2)

E aí, curtiu o resultado? Eu amei!!! 😉 ❤

Por: Bruna Dias e Rose Dias

Conversando sobre: a Transição da Jaque!

Conversando sobre: a Transição da Jaque!

Stockholm (3)“Para ser sincera, eu não me lembro exatamente de como era o meu cabelo”. Se a gente fizesse uma pesquisa, provavelmente metade das meninas que alisam os cabelos já deve ter dito essa frase. Desta vez, quem conversa com a gente sobre transição é a Jaquelinho Pinho, de 24 anos. Jaque é publicitária e estudou comigo na PUC.  Batemos um papo e eu descobri que meu site tem sido uma das suas fontes de inspiração ❤ Vem ler!

Diasdecacho: Porque você decidiu entrar na transição?

Jaqueline: Decidi fazer a transição, pois estava cansada de ter que alisar de 6 em 6 meses e já fazia progressiva há muitos anos (que eu me lembre 8 anos), por ser mais fácil de cuidar. Sempre achei cabelo cacheado muito bonito, mas nunca soube cuidar do meu, então achava que não era pra mim, sabe? Recebi muito incentivo da minha melhor amiga, que já tinha passado pelo processo. Comecei a deixar meu cabelo crescer sem química em dezembro de 2016.

D: Porque você alisava?

Jaque: Minha mãe tem cabelo liso e nunca soube me ajudar a cuidar do meu cabelo cacheado quando eu era menor. Por conta do meu cabelo, eu era alvo de chacota de algumas pessoas na escola e isso mexia muito comigo. O problema é que na época só tinha duas soluções: andar com o cabelo preso o tempo todo ou ficar com ele todo desarrumado. Nenhuma das duas me agradava, então conversei com a minha mãe e começamos a fazer relaxamentos no meu cabelo, o que durou três anos. Depois comecei a realmente alisar.

jaque2D: Qual a parte mais difícil da transição?

Jaque: A parte da aceitação é a mais difícil, por que ver o processo das outras pessoas é encorajador, mas é mais fácil só observar o outro. Eu fui encorajada por uma amiga que já tinha passado pela transição com seus cachos maravilhosos, mas não fui vendo todo o processo, pois ela mora longe.  Quando você passa pelos perrengues de não saber lidar com as duas texturas do seu cabelo, com a insegurança, com a vontade de desistir, com o comprimento de quando você corta pela primeira vez e seu cabelo está sem química… tudo isso é difícil, mas passa….ainda bem que passa! Por isso eu digo que lidar com a ansiedade, com o estresse que vem junto com o processo de se amar como você é, isso acaba sendo a parte mais difícil.

D: E a parte mais fácil?

Jaque: Eu diria que a parte mais legal de tudo é ter vários produtos novos que ainda não conheço para poder testar, que era uma coisa que eu não tinha opção há uns 10 anos atrás, com poucas opções de cremes e afins. E isso é algo muito bom, ver que as pessoas cada vez mais estão encontrando produtos pros próprios tipos de beleza e que ter o cabelo cacheado, liso, colorido, natural, é bonito, independente do que você escolher e não somente um padrão de beleza.

Jaque conta que já cortou uma parte do cabelo e diz que irá fazer o bc.

“Acho que vai dar uma sensação de real liberdade, de completar essa trajetória. Estou pensando se irei esperar o cabelo crescer mais um pouco ou se corto mais. Nisso eu ainda estou na dúvida, mas sei que independente de fazer agora ou mais tarde, meu cabelo ainda vai precisar de cuidados contínuos”.

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Diasdecacho: O que significa a transição?

Jaque: Me aceitar como eu sou e aprender a me amar assim mesmo. Independente do que os outros possam achar do meu cabelo ou da minha aparência, porque todo mundo tem beleza em si. E que as diferenças é que tornam as pessoas interessantes. A partir dessa experiência eu mudei quem eu sou e a maneira como eu me vejo e os outros me veem e também como eu vejo as outras pessoas. Me ajudou a aceitar os diferentes tipos de beleza e a ter coragem pra ter o meu cabelo do jeito que eu sempre quis.

A minha melhor amiga, Aline Lima, com certeza foi a minha maior inspiração nesse processo, ver o passo a passo da sua transição também foi uma grande inspiração pra mim e o seu blog também tem sido uma fonte de inspiração!

Ownn Obrigada pela conversa Jaque! Que você inspire muitas outras pessoas também :*

Beijos, Bruna Dias

Conversando sobre: Vanessa e sua transição  

Conversando sobre: Vanessa e sua transição  

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antes da transição

É hoje! Começo aqui a série de entrevistas com pessoas que estão passando pela transição ou que já passaram por ela. Acho muito importante ouvir quem está tendo ou teve experiências com esse processo. E quem estreia a nova categoria do blog é Vanessa Pereira, do @projeto_cabelonatural.

Comecei a seguir a Vanessa logo no início da minha transição, quando eu ainda usava meu próprio nome no ig do Instagram. Um dia decidi excluir minha conta e perdi o perfil dela, dias depois de saber que ela tinha feito o bc! Procurei até acha-la novamente. Acompanhar essa moça fez uma diferença enorme no dia a dia da minha transição pelo simples motivo de Vanessa ser super sincera em relação a produtos e ao que ela mesma estava sentindo. Foi e é uma das minhas maiores inspirações!

Atualmente
Vanessa atualmente

 

“Uma vez ouvi falar que ninguém nasce negro no Brasil, porque um negro sempre é chamado de “moreninho”. No inicio da transição eu era “moreninha” e agora me descobri como mulher negra”

 

 

Vanessa conta que entrou na transição capilar porque estava planejando sair do país desde julho de 2016. A partir daí surgiu a dúvida: como será que iria fazer para manter o cabelo liso lá?. “Fiquei com medo de misturar químicas e ter um corte químico então comecei a cogitar a possibilidade de deixar meu cabelo natural.  Minha última progressiva foi dia 29 de outubro de 2016 e em dezembro eu decidi finalmente entrar em transição”, conta.

Foto no dia do BC
Dia do bc

No dia 23 de março deste ano, Vanessa fez o bc. “Eu não aguentava mais as duas texturas. Estava me sentindo péssima e achei que não iria me sentir pior se cortasse. Apesar de sempre ter tido o cabelo longo e ter achado estranho ele curto, foi a melhor decisão que tomei. Me senti bem melhor depois do big chop”.

Diasdecacho: Por quanto tempo você alisou o cabelo e porquê?

Vanessa: Lembro que quando eu era criança, adorava soltar meu cabelão cacheado e ficar dançando loucamente. Mas quando entrei na escola, via que eu era diferente e estava sempre de tranças. Minha mãe também sempre reclamava do meu “cabelo ruim” e que dava muito trabalho para cuidar. Chorei tanto pra ela alisar meu cabelo que comecei a passar relaxamento quando tinha 8 anos. Então foram quase 20 anos entre relaxamento,alisamento,henê e progressivas.

D: Qual é a parte mais difícil da transição?

Vanessa com 6 anos
Fofíssima com 6 anos

V: É difícil escolher uma só! (risos). Acho que a pior parte foi a baixa autoestima. Eu me sentia a mulher mais horrorosa do mundo com o cabelo com duas texturas.

D: Está há quanto tempo sem química? O que faz para disfarçar as duas texturas?

V: Estou há 10 meses sem química e fiz o big chop com 5 meses. Enquanto estava com as duas texturas, eu tentei fazer algumas vezes texturização com papel higiênico, coquinhos e bigudinho. Nenhuma ficava boa (elas foram minhas maiores frustrações durante a transição) e eu não tinha muita paciência para fazer então geralmente eu só amassava bem o cabelo para ficar meio ondulado.

D: Pensou em desistir?

V: Sou muito cabeça dura! (risos) Isso não passou pela cabeça em nenhum momento. Quando eu decidi entrar em transição, já cortei metade do cabelo, já para não correr o risco da tentação de usar a progressiva novamente.  No começo eu só queria meus cachos por preocupação, mas em algum momento isso se transformou em algo muito maior.

A libertação das químicas e chapinha se transformou num grande sonho. Sem contar a auto aceitação e empoderamento. Isso tudo me fez continuar.

D: Como o Instagram te ajuda?

V: O Instragram me ajudou muito ao me mostrar que tinha muitas mulheres passando por esse processo também. Lá eu achei várias dicas e uma grande fonte de apoio e inspiração.

D: É mais difícil achar produtos fora do Brasil?

V: Aqui na Nova Zelândia é quase missão impossível. Eu não encontro cremes para pentear nem de marcas famosas como TRESemmé e Dove. Produtos específicos para o nosso tipo de cabelo é impossível. Como o país não fabrica esses produtos, eles importam apenas o que sabem que o povo vai usar.

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Vanessa Pereira tem 27 anos, e é de São Paulo-SP, mas atualmente mora em Wellington, capital da Nova Zelândia. Desenvolvedora de software, ama assistir séries e tem um blog literário chamado Nerds Leitores e um canal no Youtube .

por Bruna Dias 

Invasão de corpo e alma

Invasão de corpo e alma

Oi, aqui quem fala é o seu cabelo. O novo, porque o antigo já era! O que você deixou respirar, voltei por você. Vim agradecer, a gente não se via há uns 4 anos né?! Nossa, você mudou tanto…

Obrigado por gostar tanto de mim, eu achava que você me odiava! Mas não estava triste, meu colega estava feliz com você e parece que você gostava muito dele. 

Te vi chorar naquele dia que cortou, não, não precisa me explicar! Eu sei que não foi arrependimento.

 Ah, espero ficar mais tempo, estou aproveitando todos esses cremes e shampoos novos. Tá sendo uma experiência boa e divertida. Não vou nem me despedir. 
Estamos juntos, 

Cabelo da Bruna

Cronograma capilar  – Parte 1

Cronograma capilar  – Parte 1

cabeloComo já falei em outros posts, a transição capilar trouxe muitas novidades para a minha rotina de cuidados com meu cabelo. A principal delas foi, sem dúvidas, o cronograma capilar. O cronograma nada mais é do que uma agenda de tratamentos para recuperar os fios ou para mantê-los saudáveis.

É super fácil e os resultados são visíveis a cada semana: força, maciez e crescimento. Convido vocês a conhecer esse processo! Vamos lá?

O querido cronograma

Primeiro, temos que entender os 3 principais pilares do cronograma capilar: hidratação, nutrição e reconstrução.

Hidratação: Eu sempre achei que todos os cremes de “massagem” fossem para hidratação, comprava qualquer um! A hidratação é sim fundamental para todo tipo de cabelo. Essa etapa é responsável por repor a água natural dos cabelos, deixando-os mais macios e brilhosos. É bem fácil, alguns cremes trazem a opção de passar por 3 minutos durante o banho. Outros são mais profundos, 20 a 30 minutos com touca. Frequência: faço2 vezes por semana.

Nutrição: Fase conhecida por ser a mais importante para os cabelos crespos, a nutrição repõe os lipídios, ou seja, oleosidade e gorduras naturais do cabelo. Lembra quando falamos de tipos de cabelo? Os cabelos crespos e cacheados ressecam mais e são facilmente danificados pelo vento, sol, além de químicas. Então, os cremes que tem manteigas e óleos vegetais, combinados com hidratantes, ajudam muito a manter esses cabelos saudáveis. Os cremes de nutrição vêm identificados, eles normalmente têm óleos (óleo de argan, macadâmia, amêndoas, coco, oliva), manteigas (karité, cupuaçu, cacau, abacate) na composição.

Essa etapa traz força e vitalidade e pode ser feita pela umectação, que é nutrição com óleos vegetais puros. É importante saber se o óleo é vegetal puro ou se é mineral. Óleo mineral não traz os mesmos benefícios, geram efeito superficial apenas. Eu gosto muito da umectação noturna: coloco o creme no cabelo de noite e vou dormir. Tiro de manhã e lavo. Frequência: uma vez por semana.

Reconstrução: Esse processo é feito para repor as propriedades naturais da fibra capilar, ou seja, repor massa e queratina dos fios. A queratina é uma proteína que ajuda a formar as unhas e os cabelos, por isso, a reconstrução é importante para restaurar cabelos ressecados, quebradiços e que já foram danificados por processos químicos. Mas, temos que tomar cuidado nessa etapa: muita queratina pode ter efeito contrário. O cabelo fica enrijecido, sem brilho, o pente nem passa. Então pode quebrar com facilidade e não é isso que queremos!

Há duas formas de fazer reconstrução: com máscaras (procedimento igual de hidratação) ou com cauterização com queratina líquida. Eu faço com queratina: lavo o cabelo, passo a queratina, deixo 10 minutos. Volto pro chuveiro e passo por cima uma máscara de hidratação (para amaciar! Cabelo fica muuuuito rígido!) e deixo mais 5 minutos. Depois enxáguo. Frequência: 1 vez por mês.

Esses foram as três fases para montar o cronograma. No próximo post vou montar o meu com vocês!

Beijos,  Bruna Dias