Preta, sim, em qualquer lugar.

Preta, sim, em qualquer lugar.

negra
por @rawpixel

Não sou expert para falar sobre isso, mas com toda licença, eu sinto – literalmente – na pele. No início do ano preparei uma apresentação no antigo trabalho e, para minha surpresa, meu chefe me questionou porque não havia pessoas negras nas imagens que usei como ilustração. Mais especificamente, era uma foto de mãos e as mãos eram todas brancas.

Bom, eu não tinha parado para pensar sobre isso, talvez porque fosse normal não encontrar pessoas negras nos bancos de imagem, talvez porque fosse natural ver pessoas brancas no ambiente de trabalho e nas imagens que ilustram esse tipo de ambiente corporativo. Não sei, eu só sei que não poderia tirar a culpa de mim completamente. Veja bem, eu disse completamente, porque não é só minha mesmo. Não posso também apenas ficar calada por isso, achando que o preconceito vem da minha própria mente – porque não é verdade.

Aqui no blog eu só uso imagens de meninas negras. Acho que porque estou falando de mim e de pessoas parecidas comigo, faz total sentido. Entendi que no trabalho também faria. Vou falar novamente de um banco de imagens que surgiu da ideia de armazenar e dar acesso a mais fotos em alta de pessoas negras. O Nappy é um site com fotos em alta resolução de pessoas negras e 100% gratuito. Foi criado pela agência americana SHADE, sediada no Brooklyn.

Gente, é só dar um Google e você acha milhões de fotos de pessoas brancas em suas mais variadas atividades do cotidiano: comendo, conversando, namorando, noivando, casando… Agora encontrar cenas assim de pessoas negras não é tão fácil… e olha que a gente faz tudinho ai que uma pessoa branca faz, oras.

Falta mesmo representatividade. No trabalho, na coleção nova de primavera-verão, na campanha do colégio, na revista de moda, na novela… E eu não me toquei nas vezes que fiz apresentação que a apresentação com pessoas negras faz diferença!!! 

Claro que outros bancos de imagens têm fotos de negros, mas as buscas precisam ser específicas para achar. Pelo amor, somos pessoas, então não deveria ter que existir uma busca específica para os algorítimos encontrarem fotos de negros. Uma crítica dessas tá no vídeo do pessoal do Desabafo Social:

Um outro projeto bacana e brasileiro é o banco de imagens”Young, Gifted and Black” (“jovem, talentoso e negro”). O nome é de uma música da cantora Nina Simone, que foi trilha sonora para o movimento negro na década de 70. O banco de imagens é ideia da publicitária Joana Mendes (redatora que passou pela Artplan, Africa, entre outras), com objetivo de incluir fotos de mulheres negras em ações cotidianas e inspiracionais. O projeto estava no Catarse.me no início do ano e arrecadou pouco mais de R$ 15 mil. Vejam o vídeo:

young, gifted and black from Joana Mendes on Vimeo.

Para finalizar esse post diferente que amei fazer,  vamos aproveitar que estamos falando sobre agências, para contar sobre o podcast que me indicaram recentemente: Grupo Publicitários Negros – ser negro no mundo da publicidade ,  do Ideias Negras. Neste, Aquiles Borges, Jana Assumpção e Nubiha Modesto falam – como o título já diz – sobre os desafios dos profissionais negros no mercado publicitário, em agências e até mesmo clientes. Vale ouvir, a gente se identifica em muitos pontos e ainda tem uma caminhada para vermos pessoas como nós em postos de destaque nas empresas.

Bom, é isso! Usem imagens de negros nas suas criações, chamem negros para suas criações, isso faz diferença, pode ser um primeiro-grande passo.

Ah, estou buscando meninas negras do RJ para fazer um ensaião! Sem data ainda. Me avisem se conhecerem.

Beijos,

Bruna Dias

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Pela primeira vez no Brasil a procura por cabelos cacheados no Google superou a por cabelos lisos. O que isso quer dizer?

Pela primeira vez no Brasil a procura por cabelos cacheados no Google superou a por cabelos lisos. O que isso quer dizer?

A pesquisa divulgada no dia 08 de agosto indica: no último ano houve um crescimento de 232% na procura por cabelos cacheados, e o interesse por cabelos afro subiu 309% nos últimos dois anos. O que isso quer nos dizer?

Arrisco um palpite: quer dizer que todas as vezes que tentamos e tivemos que explicar que o negro precisa se empoderar valeram a pena, todas as críticas por produtos adequados aos tons de pele e tipos de cabelo estão finalmente sendo ouvidas, todas as páginas, blogs, instagrans, eventos e grupos criados para discutir e corroborar para representatividade estão dando fruto.

Não foi do nada. Essa pesquisa mostra como buscamos essa representatividade, que muitas vezes a mídia tradicional não exibe. Googamos por pessoas parecidas conosco, que nos contem uma experiência: seja ela com cremes, com lugares, com outras pessoas…

Tem como não abrir um sorriso ao ler que o interesse por cabelos afro subiu? Nem me importaria a porcentagem, mas, caramba, 309%. É pra abrir um sorrisão!

Tudo bem para quem quer continuar com a chapinha ou com as escovas. Mas parabéns pra quem descobriu que também pode ser feliz sendo cacheada, crespa, enrolada.

Temos mesmo que buscar mais, aprender a cuidar, esquecer a ideia de cacho perfeito, conhecer nós mesmas e encontrar outras como nós. E tudo isso acontecendo num momento tão bacana, em que a “vozes” da internet estão aí para alcançar cada vez mais. Pra dividir, somar, reivindicar e multiplicar esse conteúdo tão autêntico, tão nosso. Posso dizer: passar por isso é uma delícia!

Beijos, Bruna Dias

Invasão de corpo e alma

Invasão de corpo e alma

Oi, aqui quem fala é o seu cabelo. O novo, porque o antigo já era! O que você deixou respirar, voltei por você. Vim agradecer, a gente não se via há uns 4 anos né?! Nossa, você mudou tanto…

Obrigado por gostar tanto de mim, eu achava que você me odiava! Mas não estava triste, meu colega estava feliz com você e parece que você gostava muito dele. 

Te vi chorar naquele dia que cortou, não, não precisa me explicar! Eu sei que não foi arrependimento.

 Ah, espero ficar mais tempo, estou aproveitando todos esses cremes e shampoos novos. Tá sendo uma experiência boa e divertida. Não vou nem me despedir. 
Estamos juntos, 

Cabelo da Bruna

Mudando a vida 

Mudando a vida 

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Li essa frase na mesma semana em que pensava em escrever sobre como mudei a forma de olhar meu guarda roupa depois que cortei meu cabelo. Comprei roupas novas, adaptei outras, e ganhei alguns acessórios que eu acho que nunca teria ganhado antes! E isso foi bom: as pessoas perceberam a mudança também. Eu até ganhei um bolo de aniversário com o tema transição! (amei, amei, amei!) Algumas coisinhas começaram a fazer parte do meu dia a dia logo na transição. E ainda carrego muitas delas:

Lenços: no inverno, de manhã, quase sempre está friozinho. Então uso alguns lenços pra dar um up no visual.

Brincos e colares: se eu contar ninguém acredita, mas eu era bem “perua” quando criança. Esse ano eu me reencontrei com os brincos. E ganhei esses fofuxos:

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Faixas: já disse que me ajudaram muito e continuam ajudando. Próximo passo é aprender a usar o turbante…

Sapatos: Na ponta do look, mas faz uma diferença. Tentei buscar alguns diferentes e encontrei umas promoções incríveis. Esse estava de R$ 59,99 por R$ 39,99 na C&A (Botafogo – RJ).

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Maquiagens: por último, mas não menos importante. Estou tentando aprender e já estou viciada em batons. Ganhei esses (da Janaína Lellis): 

Stockholm (2).jpg

A verdade é que eu via nos outros muitos desses acessórios, mas achava bem estranho eu mesma usar. Tinha a impressão de que estava “chamando atenção demais”. As coisas mudam né?! Além disso tudo, criei uma pasta no pinterest com inspirações.

No instagram, a indicação da vez é uma DIVA que sabe muito de moda: @anna_chagas. Mostra combinações incríveis, ressaltando sempre que as negras PODEM sim arrasar com looks muito bem montados.

Beijo! Bruna Dias

Ensaio Fotográfico com Ana Rosa – um reencontro  

Ensaio Fotográfico com Ana Rosa – um reencontro  

Recentemente, fiz um ensaio fotográfico com uma colega, a Ana Rosa. Não foi a única vez, ela foi a primeira pessoa que minhas lentes fotografaram nesse formato de ensaio, em 2013.

As fotos desse ano foram ainda mais especiais: Ana colocou tranças no cabelo e acho que o principal motivo para fotografá-la foi mostrar que ela é incrível, com cabelos encaracolados, trançados ou de qualquer outra forma.

Eu estava em transição capilar e ainda não tinha feito nenhum corte significativo no cabelo, mas a primeira coisa que ela me disse foi: “Seu cabelo está lindo!”.  Foi um reencontro. Ficamos um bom tempo tirando fotos e conversando sobre tranças, cachos, relacionamentos preconceito e roupas estilosas. Colocamos o papo em dia, sentadas no chão do Instituto Moreira Salles – demais, né? hahaha .  Um dia muito incrível, um dos ensaios mais poderosos e bonitos que já fiz.

Tenho vontade de colocar tranças, ajudam no crescimento do cabelo e matam aquela saudade do longo. Mas ainda não decidi! Falo mais sobre isso em breve 😉

Dedico este post a você, Ana! Que esteve sempre disponível para esclarecer dúvidas e conversar sobre transição (apesar de não ter passado por ela) ou qualquer outro assunto sobre força negra, resistência, feminismo.  Obrigada por existir como é! ❤

Modelo: Ana Rosa / Quem quiser pode seguir e conferir as dicas da Ana sobre tranças, cabelos cacheados e MUITO estilo: @eu_anarosa

Algumas fotos: 

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