Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Eu admiro muito quem chega chegando, respondendo com propriedade a pergunta: “Qual o seu tipo de cacho?”. Me perco entre os 3abc, 4abc… Tem hora que é difícil dizer se o cabelo é isso ou aquilo. E as duas nomenclaturas mais gerais a gente confunde muito: crespo e cacheado.

Algumas características diferenciam os fios crespos dos cacheados. E para cuidar corretamente de cada um desses tipos, é preciso descobrir: Seu cabelo é crespo ou cacheado? A principal diferente é a curvatura dos cachos, o tamanho da abertura das voltas.

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O primeiro ponto é que o cabelo crespo é mais ressecado naturalmente. Ele tem curvinhas menores e mais apertadas, mais difíceis de definir. Precisam de bastante hidratação e nutrição (umectação). São os donos dos tipos 4abc, sendo o 4c o mais crespo e o mais volumoso, estilo black power, sem muita definição. O 4b forma um zig zag, com volume desde a raiz, e o 4a forma cachos bem fechados e pequenos.

Cacheados (4)
Os cacheados são do tipo 3abc: são cachos mais definidos. Os tipos 3a têm cachos mais abertos, largos, parecem cachos feitos com babyliss mas que estão desmanchando, sabe?! Os 3b são cachos mais fechados e 3c cachos beeem menores.

Eu já li e reli mil vezes essas infos, inclusive, fiz um post sobre isso antes. Mesmo assim, na vida real, é mais difícil saber qual cabelo é qual. Os mais fáceis de identificar são as extremidades, 3a e 4a.

Pra quem está em transição, o ideal é apostar nos cremes voltados para essa fase, porque é muito difícil saber qual o cacho, até bastante tempo depois do bc…

Me fala aí, seu cabelo é crespo ou cacheado?

Tipos de Curvatura dos Cachos
Bruna Dias

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Livro infantil ‘Meu crespo é de rainha’ incentiva meninas negras a amarem seu cabelo crespo

Livro infantil ‘Meu crespo é de rainha’ incentiva meninas negras a amarem seu cabelo crespo

Estamos vivendo anos de muitas mudanças e crescimento da aceitação e autoafirmação de pessoas negras e cacheadas, mas como as crianças estão sendo inseridas neste contexto? Sabemos que muitas meninas, e meninos também, cada vez mais novos, tentam se encaixar em padrões de beleza pautados numa realidade inalcançável. Não é muito difícil seguir alguém no Instagram, que um dia levanta uma bandeira e no outro está mostrando como é maravilhoso abdicar das coisas que gosta pra ter como recompensa ser magro e ficar bem em selfies. Voltamos pra primeira pergunta: como as crianças lidam com isso? Provavelmente mal. Multiplica isso por dez (ou mais) quando falamos de meninas negras.

Na última semana, duas pessoas muito queridas me marcaram em posts sobra a divulgação do livro “Meu Crespo é de Rainha”, lançado pelo Boitatá, selo infanto-juvenil da editora Boitempo.

Créditos: Divulgação/Boitatá

O livro, na verdade, foi publicado pela primeira vez em 1999, por bell hooks. O Word até tentou colocar o nome da autora em letras maiúsculas, mas ela prefere assim, tudo minúsculo, do jeitinho que tá aqui. É um apelido (ela se chama Gloria Jean Watkins!) que escolheu para homenagear os sobrenomes da mãe e da avó e, ao mesmo tempo, sem letras maiúsculas, mostrar que existem coisas mais importantes que títulos e nomes. É uma transgressão gramatical pra indicar que o conteúdo é o essencial.

 

Escritora, professora e intelectual afro-americana, bell hooks escreveu o primeiro livro  depois de testemunhar um ato de racismo dentro de uma escola primária do Brooklying, nos EUA, quando uma professora leu para as crianças uma história sobre cabelos “ruins”. A resposta de hooks foi o livro “Happy to be nappy” (“feliz por ter cabelo ruim”), para contar que cabelos crespos também são cheiros e macios. (fonte: NEXO-CATRACA LIVRE)

O livro é para ser lido em voz alta para crianças a  partir de três anos, e é apresentado em forma de um poema rimado, celebrando de forma positiva e elogiosa a cabeleira crespa e cacheada, convidando crianças negras (ou não) a entender e buscar sua verdadeira identidade.

“Meu Crespo é de Rainha” traz ilustrações de Chris Raschka e tradução de Nina Rizzi. Para essa versão brasileira, a editora contou com a ajuda de  Ana Paula Xongani (ela tem um YouTube sobre comportamento, racismo e estéticas negras), que fez uma ilustração linda pra capa do livro, olha aqui do lado! ❤

Só conheci agora o trabalho da Xongani. O NEXO fez uma entrevista com ela, destaco duas falas:

“É como se o cabelo fosse o florescer dessas discussões. Como se fosse a autoafirmação disso. Quando uma mulher começa a deixar seus cabelos crespos, a assumir a transição capilar, é um processo de dentro para fora, um processo interno que se revela no exterior da cabeça”. – Olha a transição aquiiii! Eu fico muito feliz com a quantidade de pessoas (gente, homem também!) que entram em transição. Mas espero que cada vez mais gente não alise o cabelo por pressão para entrar em um padrão! Espero que esse tipo de livro ajude ❤ 

“A gente sabe que as crianças negras não se veem representadas na mídia, nos livros, nos livros didáticos. Elas não estão ocupando esse lugar do belo, do carinhoso, do bonito. É esse o processo de invisibilidade. Ser uma criança negra no Brasil significa crescer sem se ver”. – Eu sempre penso como as pessoas desconfiam da nossa capacidade (dos negros) de sermos fofos, carinhoso, cuidadosos, delicados e educados!  Parece que são características só de pessoas brancas e isso tem que ser desmitificado.

images (1)Então gente, esse livro tem tudo a ver com os temas que falamos por aqui, porque assim como diz Xongani, quanto mais cedo nossas crianças tiverem esse tipo de ferramenta, mais cedo vão entender que ser quem a gente é, é simplesmente incrível, e o quanto antes irão perceber o racismo e lutar contra isso!

Deixo aqui o link da matéria completa do NEXO e do Catraquinha. E um obrigado especial pra Paula Sarapu e Ana Laura que me indicaram a leitura. ❤

Ah, Ana Xongani tem uma loja com coisas lindas: http://xongani.com!

Beijos, Bruna Dias 

Cronograma capilar  – Parte 1

Cronograma capilar  – Parte 1

cabeloComo já falei em outros posts, a transição capilar trouxe muitas novidades para a minha rotina de cuidados com meu cabelo. A principal delas foi, sem dúvidas, o cronograma capilar. O cronograma nada mais é do que uma agenda de tratamentos para recuperar os fios ou para mantê-los saudáveis.

É super fácil e os resultados são visíveis a cada semana: força, maciez e crescimento. Convido vocês a conhecer esse processo! Vamos lá?

O querido cronograma

Primeiro, temos que entender os 3 principais pilares do cronograma capilar: hidratação, nutrição e reconstrução.

Hidratação: Eu sempre achei que todos os cremes de “massagem” fossem para hidratação, comprava qualquer um! A hidratação é sim fundamental para todo tipo de cabelo. Essa etapa é responsável por repor a água natural dos cabelos, deixando-os mais macios e brilhosos. É bem fácil, alguns cremes trazem a opção de passar por 3 minutos durante o banho. Outros são mais profundos, 20 a 30 minutos com touca. Frequência: faço2 vezes por semana.

Nutrição: Fase conhecida por ser a mais importante para os cabelos crespos, a nutrição repõe os lipídios, ou seja, oleosidade e gorduras naturais do cabelo. Lembra quando falamos de tipos de cabelo? Os cabelos crespos e cacheados ressecam mais e são facilmente danificados pelo vento, sol, além de químicas. Então, os cremes que tem manteigas e óleos vegetais, combinados com hidratantes, ajudam muito a manter esses cabelos saudáveis. Os cremes de nutrição vêm identificados, eles normalmente têm óleos (óleo de argan, macadâmia, amêndoas, coco, oliva), manteigas (karité, cupuaçu, cacau, abacate) na composição.

Essa etapa traz força e vitalidade e pode ser feita pela umectação, que é nutrição com óleos vegetais puros. É importante saber se o óleo é vegetal puro ou se é mineral. Óleo mineral não traz os mesmos benefícios, geram efeito superficial apenas. Eu gosto muito da umectação noturna: coloco o creme no cabelo de noite e vou dormir. Tiro de manhã e lavo. Frequência: uma vez por semana.

Reconstrução: Esse processo é feito para repor as propriedades naturais da fibra capilar, ou seja, repor massa e queratina dos fios. A queratina é uma proteína que ajuda a formar as unhas e os cabelos, por isso, a reconstrução é importante para restaurar cabelos ressecados, quebradiços e que já foram danificados por processos químicos. Mas, temos que tomar cuidado nessa etapa: muita queratina pode ter efeito contrário. O cabelo fica enrijecido, sem brilho, o pente nem passa. Então pode quebrar com facilidade e não é isso que queremos!

Há duas formas de fazer reconstrução: com máscaras (procedimento igual de hidratação) ou com cauterização com queratina líquida. Eu faço com queratina: lavo o cabelo, passo a queratina, deixo 10 minutos. Volto pro chuveiro e passo por cima uma máscara de hidratação (para amaciar! Cabelo fica muuuuito rígido!) e deixo mais 5 minutos. Depois enxáguo. Frequência: 1 vez por mês.

Esses foram as três fases para montar o cronograma. No próximo post vou montar o meu com vocês!

Beijos,  Bruna Dias