Decidi ficar LOIRA!

Decidi ficar LOIRA!

Muitos podem dizer que eu não paro quieta com meu cabelo… o que não é uma mentira. Depois que entrei em transição, mudei para corte curto, tranças boxbraids e agora decidi descolorir as pontas. O resulto foi um pouco mais intenso do que eu esperada, ficou loiro mesmo. Mas curti!

Mas, porque? Gente, não sei explicar haha eu me sinto tão livre de cabelo natural que não tenho tanto medo de arriscar coisas novas. Ao mesmo tempo, tenho medinho de estragar e ter que voltar tudo de novo para recuperar.

Algumas fotos da minha mudança. Agora estou recriando meu cronograma capilar, afinal descoloração resseca ainda mais o cabelo… Alguns cachos ficaram meio sem forma, mas já estou recuperando eles com hidratação e nutrição. Os cremes de finalização estão me ajudando muito também.

E você, topa mudar? 🙂

bruna antes depois

Anúncios
Preta, sim, em qualquer lugar.

Preta, sim, em qualquer lugar.

negra
por @rawpixel

Não sou expert para falar sobre isso, mas com toda licença, eu sinto – literalmente – na pele. No início do ano preparei uma apresentação no antigo trabalho e, para minha surpresa, meu chefe me questionou porque não havia pessoas negras nas imagens que usei como ilustração. Mais especificamente, era uma foto de mãos e as mãos eram todas brancas.

Bom, eu não tinha parado para pensar sobre isso, talvez porque fosse normal não encontrar pessoas negras nos bancos de imagem, talvez porque fosse natural ver pessoas brancas no ambiente de trabalho e nas imagens que ilustram esse tipo de ambiente corporativo. Não sei, eu só sei que não poderia tirar a culpa de mim completamente. Veja bem, eu disse completamente, porque não é só minha mesmo. Não posso também apenas ficar calada por isso, achando que o preconceito vem da minha própria mente – porque não é verdade.

Aqui no blog eu só uso imagens de meninas negras. Acho que porque estou falando de mim e de pessoas parecidas comigo, faz total sentido. Entendi que no trabalho também faria. Vou falar novamente de um banco de imagens que surgiu da ideia de armazenar e dar acesso a mais fotos em alta de pessoas negras. O Nappy é um site com fotos em alta resolução de pessoas negras e 100% gratuito. Foi criado pela agência americana SHADE, sediada no Brooklyn.

Gente, é só dar um Google e você acha milhões de fotos de pessoas brancas em suas mais variadas atividades do cotidiano: comendo, conversando, namorando, noivando, casando… Agora encontrar cenas assim de pessoas negras não é tão fácil… e olha que a gente faz tudinho ai que uma pessoa branca faz, oras.

Falta mesmo representatividade. No trabalho, na coleção nova de primavera-verão, na campanha do colégio, na revista de moda, na novela… E eu não me toquei nas vezes que fiz apresentação que a apresentação com pessoas negras faz diferença!!! 

Claro que outros bancos de imagens têm fotos de negros, mas as buscas precisam ser específicas para achar. Pelo amor, somos pessoas, então não deveria ter que existir uma busca específica para os algorítimos encontrarem fotos de negros. Uma crítica dessas tá no vídeo do pessoal do Desabafo Social:

Um outro projeto bacana e brasileiro é o banco de imagens”Young, Gifted and Black” (“jovem, talentoso e negro”). O nome é de uma música da cantora Nina Simone, que foi trilha sonora para o movimento negro na década de 70. O banco de imagens é ideia da publicitária Joana Mendes (redatora que passou pela Artplan, Africa, entre outras), com objetivo de incluir fotos de mulheres negras em ações cotidianas e inspiracionais. O projeto estava no Catarse.me no início do ano e arrecadou pouco mais de R$ 15 mil. Vejam o vídeo:

young, gifted and black from Joana Mendes on Vimeo.

Para finalizar esse post diferente que amei fazer,  vamos aproveitar que estamos falando sobre agências, para contar sobre o podcast que me indicaram recentemente: Grupo Publicitários Negros – ser negro no mundo da publicidade ,  do Ideias Negras. Neste, Aquiles Borges, Jana Assumpção e Nubiha Modesto falam – como o título já diz – sobre os desafios dos profissionais negros no mercado publicitário, em agências e até mesmo clientes. Vale ouvir, a gente se identifica em muitos pontos e ainda tem uma caminhada para vermos pessoas como nós em postos de destaque nas empresas.

Bom, é isso! Usem imagens de negros nas suas criações, chamem negros para suas criações, isso faz diferença, pode ser um primeiro-grande passo.

Ah, estou buscando meninas negras do RJ para fazer um ensaião! Sem data ainda. Me avisem se conhecerem.

Beijos,

Bruna Dias

Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Eu admiro muito quem chega chegando, respondendo com propriedade a pergunta: “Qual o seu tipo de cacho?”. Me perco entre os 3abc, 4abc… Tem hora que é difícil dizer se o cabelo é isso ou aquilo. E as duas nomenclaturas mais gerais a gente confunde muito: crespo e cacheado.

Algumas características diferenciam os fios crespos dos cacheados. E para cuidar corretamente de cada um desses tipos, é preciso descobrir: Seu cabelo é crespo ou cacheado? A principal diferente é a curvatura dos cachos, o tamanho da abertura das voltas.

crespos.png
O primeiro ponto é que o cabelo crespo é mais ressecado naturalmente. Ele tem curvinhas menores e mais apertadas, mais difíceis de definir. Precisam de bastante hidratação e nutrição (umectação). São os donos dos tipos 4abc, sendo o 4c o mais crespo e o mais volumoso, estilo black power, sem muita definição. O 4b forma um zig zag, com volume desde a raiz, e o 4a forma cachos bem fechados e pequenos.

Cacheados (4)
Os cacheados são do tipo 3abc: são cachos mais definidos. Os tipos 3a têm cachos mais abertos, largos, parecem cachos feitos com babyliss mas que estão desmanchando, sabe?! Os 3b são cachos mais fechados e 3c cachos beeem menores.

Eu já li e reli mil vezes essas infos, inclusive, fiz um post sobre isso antes. Mesmo assim, na vida real, é mais difícil saber qual cabelo é qual. Os mais fáceis de identificar são as extremidades, 3a e 4a.

Pra quem está em transição, o ideal é apostar nos cremes voltados para essa fase, porque é muito difícil saber qual o cacho, até bastante tempo depois do bc…

Me fala aí, seu cabelo é crespo ou cacheado?

Tipos de Curvatura dos Cachos
Bruna Dias

Pela segunda vez: BOXBRAIDS!

Pela segunda vez: BOXBRAIDS!

Resultado de imagem para beyonce box braidsContei pra vocês minha experiência com as Boxbraids no início do ano. Foi incrível, mas como mamãe de tranças de primeira viagem, fiz muitas besteiras. Agora escrevo novamente com o cabelo todo trançado. Isso mesmo, ao contrário da outra vez, vos escrevo com o penteado ainda de pé, passando da sua segunda semana – UHULL!!!

E porque tanta comemoração? Da última vez, arrisquei entrar na água do mar e de piscina por sete dias, não levei secador pra viagem, não dormi com touca ou fronhas de cetim, me desesperei com o frizz e tirei com exatos 16 dias de tranças.

bruna1.jpg

Agora em agosto, me surgiu a vontade de mudar, logo depois do meu aniversário. Foi meu presente pra mim mesma. Fui em um novo salão, o Iporinche, salão especializado em beleza negra, na Tijuca -RJ. Adorei o ambiente, fui super bem tratada desde a primeira ligação e agendamento.

Lá, a trancista me sugeriu tranças mais grossas e uma cor linda para mesclar, é tipo um vinho. Eu gostei muito do resultado, no começo achei meio grossa demais, mas me acostumei e acho que segurou mais meu cabelo nesses quinze dias.

Agora sigo um ritual que se fosse relacionado à comida, vocês poderiam até chamar de “gourmet“. Hahaha Cada um cuida como achar melhor e eu me sento melhor cuidando assim. A foto abaixo mostra como ele está hoje e como estava na primeira vez que botei trança, com mesmo tempo (16 dias) cada foto.

bruna.jpg

Cuidados: Lavo de 4 em 4 ou 5 em 5 dias. Coloco um pouco de shampoo no borrifador, misturo com bastante água e vou borrifando na cabeça. Depois enxáguo tirando tudo e sem passar condicionador. Coloco uma toalha por um bom tempo, depois deixo ele secar livremente.
Não uso cremes, as vezes uso tônico de alho para segurar a oleosidade. Durmo com fronha de cetim para conter o frizz. Prendo poucas vezes no alto da cabeça, pra não desmanchar ou puxar muito na frente.

O saldo é positivo: estou firme e forte. Porém a saudade é grande: quero meu black de voltaaaa! Por isso, devo tirar no dia 01 de setembro. Coloquei no dia 28 de julho. Mal vejo a hora de olhar meu black ❤

É isso, dúvidas ou sugestões me conta nos comentários!

bjs,

Bruna Dias

Hidrata, querida!

Hidrata, querida!

bridgid_ryan-nappy-As donas dos cabelos crespos e cacheados já sabem: hidratação salva. Aquela rotina de pegar o creme, usar uma touquinha (ou sacola de plástico mesmo rs) e esperar os trinta minutos milagrosos realmente faz bem pro nossos fios. É nessa hora que colocamos nosso cabelitcho pra recuperar a queratina e as proteínas perdidas.

O cabelo crespo é naturalmente mais ressecado. A hidratação, quando bem feita, devolve o brilho para os cabelos e aparência de fios mais saudáveis. Além disso, ajuda a reduzir o frizz e consequentemente, melhora a definição dos cachos. Ideal fazer o procedimento pelo menos uma vez no mês (depende do tipo de cronograma que você montar também).

Eu amoooo hidratar. É páreo com a nutrição (que também ajuda muito no ressecamento).

Alguns cremes são meus favoritos (Haskell Mandioca, Quina Rosa, Amigo de Milho e Desmaia Crespíssimo da Salon Line), mas também sou fã das receitinhas caseiras ❤

Ah, a foto linda que ilustra esse texto é de @bridgid_ryan , encontrei no https://www.nappy.co/  . Depois falo mais sobre esse site, é um banco de imagens somente com fotos de pessoas negras. Show, né?! ❤

Bruna Dias

Transição capilar e (é) amor próprio

Transição capilar e (é) amor próprio

Fiz tópicos sobre temas que eu gostaria de escrever até o dia em que completaria 1 ano de big chop (24 de junho). Um deles é “aceitação”. Eu acho que não sou a melhor pessoa para falar sobre isso. E talvez por isso, eu seja uma boa pessoa para falar sobre. Aceitação é assim. Nunca me achei no lugar para falar. Apesar de sempre ter achado um absurdo tudo que fazem contra alguém (contra mim) apenas pela pessoa não estar dentro de padrões, eu não me sentia confortável para confrontar situações do tipo. Porque eu nunca me reconheci. Restringindo o assunto ao tema cabelo, nunca aceitei o meu. Achava muito cheio, não definido, estranho, feio. Os tratamentos químicos foram a solução para toda minha insegurança com meus cachos. Foram aproximadamente quatro anos alisando e muitos outros antes fazendo relaxamentos.

A transição capilar esbarrou em uma série de problemas que eu tinha comigo mesma, mas que nunca tinha falado em voz alta, para que eu mesma pudesse me ouvir.  E então a transição foi muito mais do que uma mudança de cabelo. O que mais me surpreende é que eu lembro claramente dos momentos em que eu recusava qualquer pensamento sobre cortar ou parar de alisar o meu cabelo. Tento encontrar uma linha de divisão entre não querer e ter a certeza de que queria mudar. De que precisava mudar. Nunca encontro, acho que ela não existe. Vi muita gente, muita mulher negra mostrando para ela e para o mundo como ela era linda e incrível com seu cabelo, com sua cor, com seu volume. Acredito que foi um reconhecimento no outro. Essas imagens montaram um esquema de identificação na minha cabeça e o resultado foi: você pode ser feliz sendo… você.

E é por isso que estou escrevendo este texto. Quando digo que me sinto mais negra hoje, não quer dizer que você que alisa, seja menos negra que eu. Essa relação não faz sentido e não existe. Quando eu  digo que me sinto mais negra que nunca, quero dizer que eu, Bruna Dias, me reconheço como negra, me sinto representada, representando, tudo junto e misturado. Tenho consciência da minha cor, das milhares de conclusões precipitadas que as pessoas tiram antes mesmo de me conhecer, dos comentários negativos, do preconceito. Mais importante do que isso, tenho plena consciência de que eu quero falar com outras pessoas que são como eu sou, essas querem me ouvir, elas precisam se reconhecer em mim ou em outras como nós, elas precisam saber que podem ser apenas elas mesmas.

Às meninas brancas que estão em transição, meu respeito não é menor. Não podemos comparar, porque comparar é diminuir. Desejo força e, acima de tudo, a sensibilidade de perceber que o motivo para que vocês não aceitassem o cabelo cacheado também é o preconceito. E que por isso: Nada de diminuir a transição das outras. Nada de colocar a transição como um simples desejo de mudar. É mais do que isso, mesmo que você ache que não.

Hoje eu sinto que o tempo passou muito rápido, meu cabelo cresceu e continua crescendo e minha dedicação é cada dia maior. Não sou uma mulher completamente engajada, mas entendo que qualquer gesto é importante.

A transição até hoje foi o maior abraço que eu me dei. Com muitos altos e baixos, episódios de amor e ódio. Mas, com certeza, um grande carinho e aplicação na prática de amor próprio.

Beijos,

Bruna Dias

Paciência e foco na transição capilar

Paciência e foco na transição capilar

 Esses dias perguntei pra Andrizzy porque ela entrou em transição capilar. Estava escrevendo mais uma história pra nosso cantinho “Conversando Sobre”. Ela no Estado da Paraíba (JP), mas temos uma coisa em comum: a transição capilar. Está há 3 meses voltando aso cachos – no comecinho ainda! O bom é que tudo que ela me contar vai ficar registrado aqui e quando seu cabelo estiver enooorme ela vai poder ler tudinho e lembrar como valeu a pena.

o que achei (12).png

Andrizzy entrou em transição porque estava pranchando o cabelo demais, toda semana. Certo dia, viu um fio todo danificado – imagina o desespero – e aquilo a chocou.

“Fez com que eu me arrependesse de todos os anos de química. Foram 7 anos alisando, porque desde novinha eu faço definitiva no meu cabelo. Eu quis voltar como era antes, também eu entrei na Igreja e tudo isso fez com que eu reconhecesse como Deus me ama do jeito que Ele me fez”.

A internet

“As blogueiras me motivaram e eu estou vendo muitos vídeos sobre transição capilar. A Ana Lídia Lopes, do blog Apenas Ana, é minha maior inspiração e os nossos cachos, creio eu, são parecidos”.

A ansiedade

“Eu sou muito ansiosa para que o cabelo cresça, mas eu rezo muito para eu ter paciência. Meu cabelo ainda está médio/grande, porque eu estou no começo da transição. Cortei pouco, mas não afetou em nada”.

 

o que achei (13).png

Ela conta que a mãe foi a que mais gostou da sua decisão, mas que uma tia que era cabeleireira (e que fazia o seu cabelo), ainda julga até hoje.

Pra fechar, o recado de Andrizzy, pra quem assim como ela, está iniciando a transição:

É bom que você tenha foco, porque é importante saber aonde quer chegar. Ter uma motivação, uma inspiração. São essas coisas que nos ajudam a passar por essa fase um pouco melhor. Também é importante não ouvir os maus julgamentos!”

Foi um prazer conversar com você, Dizzy! Quem quiser acompanhar a transição dela é só ficar de olho no Instagram: dizzy em transição!  E aí, curtiram o bate papo? Me manda sua história também! É só mandar um oi clicando aqui! ❤

Beijos, Bruna D.