Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Eu admiro muito quem chega chegando, respondendo com propriedade a pergunta: “Qual o seu tipo de cacho?”. Me perco entre os 3abc, 4abc… Tem hora que é difícil dizer se o cabelo é isso ou aquilo. E as duas nomenclaturas mais gerais a gente confunde muito: crespo e cacheado.

Algumas características diferenciam os fios crespos dos cacheados. E para cuidar corretamente de cada um desses tipos, é preciso descobrir: Seu cabelo é crespo ou cacheado? A principal diferente é a curvatura dos cachos, o tamanho da abertura das voltas.

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O primeiro ponto é que o cabelo crespo é mais ressecado naturalmente. Ele tem curvinhas menores e mais apertadas, mais difíceis de definir. Precisam de bastante hidratação e nutrição (umectação). São os donos dos tipos 4abc, sendo o 4c o mais crespo e o mais volumoso, estilo black power, sem muita definição. O 4b forma um zig zag, com volume desde a raiz, e o 4a forma cachos bem fechados e pequenos.

Cacheados (4)
Os cacheados são do tipo 3abc: são cachos mais definidos. Os tipos 3a têm cachos mais abertos, largos, parecem cachos feitos com babyliss mas que estão desmanchando, sabe?! Os 3b são cachos mais fechados e 3c cachos beeem menores.

Eu já li e reli mil vezes essas infos, inclusive, fiz um post sobre isso antes. Mesmo assim, na vida real, é mais difícil saber qual cabelo é qual. Os mais fáceis de identificar são as extremidades, 3a e 4a.

Pra quem está em transição, o ideal é apostar nos cremes voltados para essa fase, porque é muito difícil saber qual o cacho, até bastante tempo depois do bc…

Me fala aí, seu cabelo é crespo ou cacheado?

Tipos de Curvatura dos Cachos
Bruna Dias

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Pela segunda vez: BOXBRAIDS!

Pela segunda vez: BOXBRAIDS!

Resultado de imagem para beyonce box braidsContei pra vocês minha experiência com as Boxbraids no início do ano. Foi incrível, mas como mamãe de tranças de primeira viagem, fiz muitas besteiras. Agora escrevo novamente com o cabelo todo trançado. Isso mesmo, ao contrário da outra vez, vos escrevo com o penteado ainda de pé, passando da sua segunda semana – UHULL!!!

E porque tanta comemoração? Da última vez, arrisquei entrar na água do mar e de piscina por sete dias, não levei secador pra viagem, não dormi com touca ou fronhas de cetim, me desesperei com o frizz e tirei com exatos 16 dias de tranças.

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Agora em agosto, me surgiu a vontade de mudar, logo depois do meu aniversário. Foi meu presente pra mim mesma. Fui em um novo salão, o Iporinche, salão especializado em beleza negra, na Tijuca -RJ. Adorei o ambiente, fui super bem tratada desde a primeira ligação e agendamento.

Lá, a trancista me sugeriu tranças mais grossas e uma cor linda para mesclar, é tipo um vinho. Eu gostei muito do resultado, no começo achei meio grossa demais, mas me acostumei e acho que segurou mais meu cabelo nesses quinze dias.

Agora sigo um ritual que se fosse relacionado à comida, vocês poderiam até chamar de “gourmet“. Hahaha Cada um cuida como achar melhor e eu me sento melhor cuidando assim. A foto abaixo mostra como ele está hoje e como estava na primeira vez que botei trança, com mesmo tempo (16 dias) cada foto.

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Cuidados: Lavo de 4 em 4 ou 5 em 5 dias. Coloco um pouco de shampoo no borrifador, misturo com bastante água e vou borrifando na cabeça. Depois enxáguo tirando tudo e sem passar condicionador. Coloco uma toalha por um bom tempo, depois deixo ele secar livremente.
Não uso cremes, as vezes uso tônico de alho para segurar a oleosidade. Durmo com fronha de cetim para conter o frizz. Prendo poucas vezes no alto da cabeça, pra não desmanchar ou puxar muito na frente.

O saldo é positivo: estou firme e forte. Porém a saudade é grande: quero meu black de voltaaaa! Por isso, devo tirar no dia 01 de setembro. Coloquei no dia 28 de julho. Mal vejo a hora de olhar meu black ❤

É isso, dúvidas ou sugestões me conta nos comentários!

bjs,

Bruna Dias

Hidrata, querida!

Hidrata, querida!

bridgid_ryan-nappy-As donas dos cabelos crespos e cacheados já sabem: hidratação salva. Aquela rotina de pegar o creme, usar uma touquinha (ou sacola de plástico mesmo rs) e esperar os trinta minutos milagrosos realmente faz bem pro nossos fios. É nessa hora que colocamos nosso cabelitcho pra recuperar a queratina e as proteínas perdidas.

O cabelo crespo é naturalmente mais ressecado. A hidratação, quando bem feita, devolve o brilho para os cabelos e aparência de fios mais saudáveis. Além disso, ajuda a reduzir o frizz e consequentemente, melhora a definição dos cachos. Ideal fazer o procedimento pelo menos uma vez no mês (depende do tipo de cronograma que você montar também).

Eu amoooo hidratar. É páreo com a nutrição (que também ajuda muito no ressecamento).

Alguns cremes são meus favoritos (Haskell Mandioca, Quina Rosa, Amigo de Milho e Desmaia Crespíssimo da Salon Line), mas também sou fã das receitinhas caseiras ❤

Ah, a foto linda que ilustra esse texto é de @bridgid_ryan , encontrei no https://www.nappy.co/  . Depois falo mais sobre esse site, é um banco de imagens somente com fotos de pessoas negras. Show, né?! ❤

Bruna Dias

Transição capilar e (é) amor próprio

Transição capilar e (é) amor próprio

Fiz tópicos sobre temas que eu gostaria de escrever até o dia em que completaria 1 ano de big chop (24 de junho). Um deles é “aceitação”. Eu acho que não sou a melhor pessoa para falar sobre isso. E talvez por isso, eu seja uma boa pessoa para falar sobre. Aceitação é assim. Nunca me achei no lugar para falar. Apesar de sempre ter achado um absurdo tudo que fazem contra alguém (contra mim) apenas pela pessoa não estar dentro de padrões, eu não me sentia confortável para confrontar situações do tipo. Porque eu nunca me reconheci. Restringindo o assunto ao tema cabelo, nunca aceitei o meu. Achava muito cheio, não definido, estranho, feio. Os tratamentos químicos foram a solução para toda minha insegurança com meus cachos. Foram aproximadamente quatro anos alisando e muitos outros antes fazendo relaxamentos.

A transição capilar esbarrou em uma série de problemas que eu tinha comigo mesma, mas que nunca tinha falado em voz alta, para que eu mesma pudesse me ouvir.  E então a transição foi muito mais do que uma mudança de cabelo. O que mais me surpreende é que eu lembro claramente dos momentos em que eu recusava qualquer pensamento sobre cortar ou parar de alisar o meu cabelo. Tento encontrar uma linha de divisão entre não querer e ter a certeza de que queria mudar. De que precisava mudar. Nunca encontro, acho que ela não existe. Vi muita gente, muita mulher negra mostrando para ela e para o mundo como ela era linda e incrível com seu cabelo, com sua cor, com seu volume. Acredito que foi um reconhecimento no outro. Essas imagens montaram um esquema de identificação na minha cabeça e o resultado foi: você pode ser feliz sendo… você.

E é por isso que estou escrevendo este texto. Quando digo que me sinto mais negra hoje, não quer dizer que você que alisa, seja menos negra que eu. Essa relação não faz sentido e não existe. Quando eu  digo que me sinto mais negra que nunca, quero dizer que eu, Bruna Dias, me reconheço como negra, me sinto representada, representando, tudo junto e misturado. Tenho consciência da minha cor, das milhares de conclusões precipitadas que as pessoas tiram antes mesmo de me conhecer, dos comentários negativos, do preconceito. Mais importante do que isso, tenho plena consciência de que eu quero falar com outras pessoas que são como eu sou, essas querem me ouvir, elas precisam se reconhecer em mim ou em outras como nós, elas precisam saber que podem ser apenas elas mesmas.

Às meninas brancas que estão em transição, meu respeito não é menor. Não podemos comparar, porque comparar é diminuir. Desejo força e, acima de tudo, a sensibilidade de perceber que o motivo para que vocês não aceitassem o cabelo cacheado também é o preconceito. E que por isso: Nada de diminuir a transição das outras. Nada de colocar a transição como um simples desejo de mudar. É mais do que isso, mesmo que você ache que não.

Hoje eu sinto que o tempo passou muito rápido, meu cabelo cresceu e continua crescendo e minha dedicação é cada dia maior. Não sou uma mulher completamente engajada, mas entendo que qualquer gesto é importante.

A transição até hoje foi o maior abraço que eu me dei. Com muitos altos e baixos, episódios de amor e ódio. Mas, com certeza, um grande carinho e aplicação na prática de amor próprio.

Beijos,

Bruna Dias

Paciência e foco na transição capilar

Paciência e foco na transição capilar

 Esses dias perguntei pra Andrizzy porque ela entrou em transição capilar. Estava escrevendo mais uma história pra nosso cantinho “Conversando Sobre”. Ela no Estado da Paraíba (JP), mas temos uma coisa em comum: a transição capilar. Está há 3 meses voltando aso cachos – no comecinho ainda! O bom é que tudo que ela me contar vai ficar registrado aqui e quando seu cabelo estiver enooorme ela vai poder ler tudinho e lembrar como valeu a pena.

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Andrizzy entrou em transição porque estava pranchando o cabelo demais, toda semana. Certo dia, viu um fio todo danificado – imagina o desespero – e aquilo a chocou.

“Fez com que eu me arrependesse de todos os anos de química. Foram 7 anos alisando, porque desde novinha eu faço definitiva no meu cabelo. Eu quis voltar como era antes, também eu entrei na Igreja e tudo isso fez com que eu reconhecesse como Deus me ama do jeito que Ele me fez”.

A internet

“As blogueiras me motivaram e eu estou vendo muitos vídeos sobre transição capilar. A Ana Lídia Lopes, do blog Apenas Ana, é minha maior inspiração e os nossos cachos, creio eu, são parecidos”.

A ansiedade

“Eu sou muito ansiosa para que o cabelo cresça, mas eu rezo muito para eu ter paciência. Meu cabelo ainda está médio/grande, porque eu estou no começo da transição. Cortei pouco, mas não afetou em nada”.

 

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Ela conta que a mãe foi a que mais gostou da sua decisão, mas que uma tia que era cabeleireira (e que fazia o seu cabelo), ainda julga até hoje.

Pra fechar, o recado de Andrizzy, pra quem assim como ela, está iniciando a transição:

É bom que você tenha foco, porque é importante saber aonde quer chegar. Ter uma motivação, uma inspiração. São essas coisas que nos ajudam a passar por essa fase um pouco melhor. Também é importante não ouvir os maus julgamentos!”

Foi um prazer conversar com você, Dizzy! Quem quiser acompanhar a transição dela é só ficar de olho no Instagram: dizzy em transição!  E aí, curtiram o bate papo? Me manda sua história também! É só mandar um oi clicando aqui! ❤

Beijos, Bruna D.

Como usar Box Braids

Como usar Box Braids

A primeira pergunta que eu faço a mim mesma é: por que coloquei Box Braids? Explico que fui influenciada por várias outras pessoas próximas, e não tão próximas, que já colocaram. A verdade é que eu não curtia muito as tranças antes da transição capilar. Coloquei, amei, odiei, em alguns dias apenas suportei, tirei e continuo querendo colocar de novo. Eu quis usar pela experiência, de me olhar no espelho com um novo penteado e sentir a força que ele poderia me despertar. Algumas palavras-chave que separei para contar como foi tudo isso:

O processo: Algumas pessoas sentem dor de cabeça, eu não senti. Tomei um remédio antes de ir. Saí do salão com a cabeça pesada, mas nada insuportável.

Duração: Demora, viu?! Fiquei umas 6hrs colocando as tranças.

Praticidade: Com as tranças você apenas acorda-levanta, sem precisar fazer NADA no cabelo.

Comprimento: Foi bom relembrar cabelo grande. Cada trança é feita num quadradinho, individualmente, bem perto da raiz, adicionando o cabelo sintético para dar o comprimento. O material utilizado no meu foi o Jumbo, dizem que é mais leve que o Kanekalon. Para chegar na cor do meu cabelo, foram misturados dois tons: preto e castanho escuro (eu amei isso, as meninas do salão são realmente profissas!).

 

Poder: Sim, estranho, mas aquelas tranças trazem um poder, uma representatividade diferente até do black power.

WhatsApp Image 2018-02-04 at 12.49.32Caos: Eu me senti num completo caos quando meu cabelo começou a se soltar das trancinhas. O frizz me incomodava mais do que tudo. Cortei algumas pontas do meu próprio cabelo, até ver que não ia adiantar. Dai a Jéssica Lindoso (@jess_lindoso) me deu uma dica muito boa: usar ligas (aqueles elástico pequenos finos) para amarrar o cabelo na trança. Genial! Fiquei alguns dias super ok.

Calor / couro cabeludo oleoso / adaptação ao material: Terrível, queria lavar toda hora e lavei umas três vezes em menos de duas semanas. Isso foi ruim, porque quanto mais lava, mais o cabelo solta. Minha cabeça coçava sem parar! A Ana Rosa (@eu_anarosa) me indicou usar o Tônico de Alho, pra segurar as lavagens por mais tempo. Também deu certo. Ahh, eu só lavava com shampoo, nada de condicionador, nada de cronograma. Tirar o shampoo já era difícil, imagina tacar cremes no cabelo? Acumula resíduos e pode até fazer o cabelo mofar. Senti falta de testar cremes hehehe .

Verão: Achei possível ir para piscina, praia, sol, sal… enfim, seria possível se eu não fosse tão impulsiva com meu cabelo. Vi várias meninas de trança, de boa, molhando cabelo só às vezes. Quanto mais lava, mais o cabelo escorrega e se solta. E eu querendo molhar todo dia, só falava e pensava nisso… Deu ruim pra mim, não aguentei e tirei sozinha na viagem mesmo.

O prazo para ajuste das tranças é de 45 dias. Eu tirei com menos de um mês…Mas estou super feliz! Agora recomecei o cronograma porque meus cachos sofreram com calor e praia. Bem-vindo de volta meu Black!

Depois conto mais sobre pós-box braids aqui.

Ah, coloquei as tranças no Gente Bonita Cabeleireiro (https://www.facebook.com/GenteBonitaCabeleireiroAfro/), elas são maravilhosas!

Beijos, Bruna Dias

Relaxamento capilar

Relaxamento capilar

Stockholm (1)

Por muitos anos eu relaxei meu cabelo. Aliás, relaxei mais do que fiz escovas para alisar. O objetivo sempre foi tirar o volume, o que mais me incomodava no meu cabelo cacheado. Não se falava em transição capilar, muito menos em aceitar as madeixas como elas são. A verdade é que eu e muitas meninas que eu conhecia queríamos o cabelo super controlado, o que as pessoas chamavam de “arrumado”.

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Ficava mais ou menos assim

O relaxamento capilar é um tipo de alisamento químico voltado para os cabelos crespos e cacheados. Normalmente ele é feito com Tioglicolato de amônia ou Guanidina e Hidróxido de sódio. Eu usei muito Guanidina, que é forte e incompatível com diversas outras substâncias. Lembro que meu couro cabelo às vezes ficava machucado e descascava. Ardia um pouco durante a aplicação e o cheiro não era nada bom.

Esse tipo de química pode até acabar alisando os cachos. No meu caso, ele tirava o volume e “acalmava” a raiz, o que me trazia muita paz ao coração hahaha Prometia abrir os cachos e defini-los e isso realmente acontecia. Mas, que fiquei refém do relaxamento, pois como durava muito pouco (em torno de 20 dias, porque meu cabelo cresce rápido) em poucas semanas eu já estava grilada com o volume mínimo que surgia na raiz.  Quando comecei a usar escovas para alisar, ainda conciliava com o relaxamento, para o efeito liso durar mais.

Não condeno quem gosta de fazer relaxamento. Ele de fato ajuda a baixar o volume e tem gente que não curte volume mesmo. Só é preciso ter atenção para não misturar químicas, já que esses produtos são facilmente encontrados em farmácias e a aplicação pode ser feita em casa. Alguns podem ser muito fortes e incompatíveis com tinturas, por exemplo. Daí, ao invés de um cabelo solto e brilhoso, podem aparecer problemas como queda, corte químico, cabelo muito ressecado. O primeiro passo é sempre fazer um teste de mecha antes de aplicar. Depois do relaxamento, aconselho seguir o cronograma capilar, porque sentia o cabelo bem seco.

E aí, você já relaxou ou relaxa o cabelo?

Confira essa tabela de compatibilidade química, do site Presença Cacheada:

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Fontes:

http://www.minhavida.com.br/beleza/tudo-sobre/18395-relaxamento-capilar

http://www.presencacacheada.com.br/cacheados-e-crespos/mudanca-de-quimica-capilar-sim-e-possivel/