Conversando sobre: a Transição da Jaque!

Conversando sobre: a Transição da Jaque!

Stockholm (3)“Para ser sincera, eu não me lembro exatamente de como era o meu cabelo”. Se a gente fizesse uma pesquisa, provavelmente metade das meninas que alisam os cabelos já deve ter dito essa frase. Desta vez, quem conversa com a gente sobre transição é a Jaquelinho Pinho, de 24 anos. Jaque é publicitária e estudou comigo na PUC.  Batemos um papo e eu descobri que meu site tem sido uma das suas fontes de inspiração ❤ Vem ler!

Diasdecacho: Porque você decidiu entrar na transição?

Jaqueline: Decidi fazer a transição, pois estava cansada de ter que alisar de 6 em 6 meses e já fazia progressiva há muitos anos (que eu me lembre 8 anos), por ser mais fácil de cuidar. Sempre achei cabelo cacheado muito bonito, mas nunca soube cuidar do meu, então achava que não era pra mim, sabe? Recebi muito incentivo da minha melhor amiga, que já tinha passado pelo processo. Comecei a deixar meu cabelo crescer sem química em dezembro de 2016.

D: Porque você alisava?

Jaque: Minha mãe tem cabelo liso e nunca soube me ajudar a cuidar do meu cabelo cacheado quando eu era menor. Por conta do meu cabelo, eu era alvo de chacota de algumas pessoas na escola e isso mexia muito comigo. O problema é que na época só tinha duas soluções: andar com o cabelo preso o tempo todo ou ficar com ele todo desarrumado. Nenhuma das duas me agradava, então conversei com a minha mãe e começamos a fazer relaxamentos no meu cabelo, o que durou três anos. Depois comecei a realmente alisar.

jaque2D: Qual a parte mais difícil da transição?

Jaque: A parte da aceitação é a mais difícil, por que ver o processo das outras pessoas é encorajador, mas é mais fácil só observar o outro. Eu fui encorajada por uma amiga que já tinha passado pela transição com seus cachos maravilhosos, mas não fui vendo todo o processo, pois ela mora longe.  Quando você passa pelos perrengues de não saber lidar com as duas texturas do seu cabelo, com a insegurança, com a vontade de desistir, com o comprimento de quando você corta pela primeira vez e seu cabelo está sem química… tudo isso é difícil, mas passa….ainda bem que passa! Por isso eu digo que lidar com a ansiedade, com o estresse que vem junto com o processo de se amar como você é, isso acaba sendo a parte mais difícil.

D: E a parte mais fácil?

Jaque: Eu diria que a parte mais legal de tudo é ter vários produtos novos que ainda não conheço para poder testar, que era uma coisa que eu não tinha opção há uns 10 anos atrás, com poucas opções de cremes e afins. E isso é algo muito bom, ver que as pessoas cada vez mais estão encontrando produtos pros próprios tipos de beleza e que ter o cabelo cacheado, liso, colorido, natural, é bonito, independente do que você escolher e não somente um padrão de beleza.

Jaque conta que já cortou uma parte do cabelo e diz que irá fazer o bc.

“Acho que vai dar uma sensação de real liberdade, de completar essa trajetória. Estou pensando se irei esperar o cabelo crescer mais um pouco ou se corto mais. Nisso eu ainda estou na dúvida, mas sei que independente de fazer agora ou mais tarde, meu cabelo ainda vai precisar de cuidados contínuos”.

Designedwith Love (1)

Diasdecacho: O que significa a transição?

Jaque: Me aceitar como eu sou e aprender a me amar assim mesmo. Independente do que os outros possam achar do meu cabelo ou da minha aparência, porque todo mundo tem beleza em si. E que as diferenças é que tornam as pessoas interessantes. A partir dessa experiência eu mudei quem eu sou e a maneira como eu me vejo e os outros me veem e também como eu vejo as outras pessoas. Me ajudou a aceitar os diferentes tipos de beleza e a ter coragem pra ter o meu cabelo do jeito que eu sempre quis.

A minha melhor amiga, Aline Lima, com certeza foi a minha maior inspiração nesse processo, ver o passo a passo da sua transição também foi uma grande inspiração pra mim e o seu blog também tem sido uma fonte de inspiração!

Ownn Obrigada pela conversa Jaque! Que você inspire muitas outras pessoas também :*

Beijos, Bruna Dias

Mudando a vida 

Mudando a vida 

il_fullxfull.773853518_27r3.jpg

Li essa frase na mesma semana em que pensava em escrever sobre como mudei a forma de olhar meu guarda roupa depois que cortei meu cabelo. Comprei roupas novas, adaptei outras, e ganhei alguns acessórios que eu acho que nunca teria ganhado antes! E isso foi bom: as pessoas perceberam a mudança também. Eu até ganhei um bolo de aniversário com o tema transição! (amei, amei, amei!) Algumas coisinhas começaram a fazer parte do meu dia a dia logo na transição. E ainda carrego muitas delas:

Lenços: no inverno, de manhã, quase sempre está friozinho. Então uso alguns lenços pra dar um up no visual.

Brincos e colares: se eu contar ninguém acredita, mas eu era bem “perua” quando criança. Esse ano eu me reencontrei com os brincos. E ganhei esses fofuxos:

Stockholm.jpg

Faixas: já disse que me ajudaram muito e continuam ajudando. Próximo passo é aprender a usar o turbante…

Sapatos: Na ponta do look, mas faz uma diferença. Tentei buscar alguns diferentes e encontrei umas promoções incríveis. Esse estava de R$ 59,99 por R$ 39,99 na C&A (Botafogo – RJ).

Stockholm (1).jpg

Maquiagens: por último, mas não menos importante. Estou tentando aprender e já estou viciada em batons. Ganhei esses (da Janaína Lellis): 

Stockholm (2).jpg

A verdade é que eu via nos outros muitos desses acessórios, mas achava bem estranho eu mesma usar. Tinha a impressão de que estava “chamando atenção demais”. As coisas mudam né?! Além disso tudo, criei uma pasta no pinterest com inspirações.

No instagram, a indicação da vez é uma DIVA que sabe muito de moda: @anna_chagas. Mostra combinações incríveis, ressaltando sempre que as negras PODEM sim arrasar com looks muito bem montados.

Beijo! Bruna Dias

Beleza nossa de todo dia

Beleza nossa de todo dia

Carta às futuras transitetes

Desde que comecei a transição capilar, me questiono muito o que eu considero belo. Nunca me imaginei cortando o cabelo tão curto. Até mesmo quando tinha cabelo cacheado quase nunca cortava com medo de “inchar”. Tanta coisa mudou, comecei a despertar minha forma de olhar as pessoas e buscar nelas algo verdadeiro, uma característica que me marcasse.

Por isso que o entendimento do que é belo varia de pessoa para pessoa. A transição pode te ajudar a descobrir um eu que estava perdido debaixo daquele cabelo todo. Você pode amar essa nova pessoa ou pode querer nunca ter conhecido. E isso é tão normal.

Uma coisa que eu pensava muito durante a transição era que naquele  processo podia surgir uma Bruna que não era eu de verdade. Era uma transição, eu tinha certeza que me sentiria mal, evitaria olhar no espelho algumas vezes, mas estava num caminho necessário que valeria a pena – amém.

O pior que a gente pode fazer é se comparar aos outros a todo momento. Cada um é cada um. Isso é o principal para conseguir viver minimamente feliz. A chuva de cabelos com volume e definição que surgem nas nossas timelines podem nos animar ou fazer nos decepcionarmos com as nossas próprias madeixas. E a transição deve servir para você descobrir e conhecer melhor cada curvatura que seu cabelo vai te apresentar, não importa se 3B ou 4C*.

Você não vai ficar mais bonita ou não por causa do cabelo. Mas porque muitas outras coisas vão mudar, mesmo que volte a alisar. Uma coisa triste é pensar que você nem sabe mais “como era seu cabelo antes das escovas”. – Você só conhece você mesma por foto?

A única forma de saber se vamos gostar ou não, é tentando. Se você sente vontade, então experimenta, se joga nessa! Depois me conta 😉

* Vou postar sobre curvaturas essa semana.

Bruna Dias 

Você tem medo de sentir medo? – Porque eu fiz o meu bc

Você tem medo de sentir medo? – Porque eu fiz o meu bc

Amanhã é o dia do aniversário e eu fui presenteada com um lindo espelho pelos meus colegas de trabalho. Fiquei alguns bons minutos antes de dormir admirando aquela moldura branca, cheia de curvas e detalhes: o espelho é lindo, repleto de significados.

Quando comecei a cortar meu cabelo, tinha medo de sentir medo de me olhar no espelho.  Não foi extremamente difícil, nem extremamente fácil, algumas crises e falta de autoestima surgiram, ao mesmo tempo em que eu amava estar em transformação. Era uma contradição. Parti para todas aquelas dicas clássicas: caprichar nos brincos grandes, colocar aquele batom bonito e abusar das faixas.

Usei muitas faixas durante toda a transição, me ajudaram de verdade, mas um dia me disseram: “Como está seu cabelo? Cadê sua raiz? Você esconde muito com faixa!”.

Em junho, fiz o primeiro corte grande antes do bc. Ficou curtinho e amei. Fui com medo e tive uma surpresa boa. Uma semana depois, o cabelo inchou, não aceitava mais a texturização. Quando corta, os fios ficam mais leves, então sobem com força e enrolam ainda mais. Tive uma surpresa ruim com as duas texturas.

Daí, entendi a transição como um momento de passagem: ela acaba, e eu podia acabar com ela. Fiz o bc com 6 meses de transição porque o medo era maior do que a insatisfação com as diferentes texturas. Fiz porque se eu estava disposta a aceitar meu cabelo, o que eu estava esperando? Ele já estava ali.

Fiquei muito tempo tentando descobrir como meu cabelo ficaria, se tinha muitos cachinhos, se tinha crescido, se ia crescer… A parte alisada que restava me prendia, eu estava literalmente me permanecendo ligada por “uns fios” a um padrão que não fazia mais sentido. Fui perdendo o medo de ter medo de me olhar no espelho.

Eu fiz o bc porquê na hora que sentei na cadeira do salão, entendi que não tinha o que temer, eu tinha que ser mais forte e firme sobre quem eu sou e quero. Chorei de emoção e não vou te dizer que é a coisa mais fácil do mundo. Por isso, se você pensa em fazer bc, os vídeos, os relatos, as fotos e o incentivo dos seus amigos e parentes vão te ajudar muito, mas somente o que você sentir irá prevalecer.

Espelhos são lindos, cheio de significados. Mas, você não concorda comigo que eles só se completam quando estamos refletidas da forma como realmente somos e nos sentimos bem?

* Amei o presente! ❤

Bruna Dias 

A escolha cacheada (perfeita)

A escolha cacheada (perfeita)

Não foi do nada. Acho que pode ter sido uma construção. Sim, eu fui bombardeada por meninas mostrando seus cabelos nas redes sociais, testando produtos super baratos que faziam efeitos incríveis, falando nomenclaturas que eu nunca tinha ouvido falar – em cabelos parecidos com o meu natural. Então eu pensei diversas vezes porque eu estava usando tanto tempo tentando ser algo que não era eu. Não é entrar em outro padrão, é refletir quem realmente somos. E dessa reflexão você pode simplesmente achar que o melhor é continuar alisando. Não é crime.

Eu decidi que não queria mais, cansei.

Pensar no secador e na chapinha começava a me dar preguiça. Em dezembro de 2016 fiz a última progressiva. Ainda não pensava em parar, eu amava aquele cabelo. Era sinônimo de beleza, feminidade, sensualidade…

Aos poucos fui amadurecendo a ideia. Já tinha tentado há um tempo e na primeira ondinha do primeiro mês, desisti.

Fui amadurecendo mais.

Comprei cremes.

Parei de fazer chapinha.

Entrei na transição.

Agora eu fazia parte de um time de meninas que resolveram se transformar nelas mesmas. E quanto mais eu procurava, mais gente eu achava. Mais nomes de produtos novos eu aprendia. 3abc, 4abc, caramba… quantas nomenclaturas!

E a transição se consolidou quando eu comecei a cortar as partes alisadas. Uma vontade de tirar aquilo tudo, mas calma! É meu cabelo! Vai devagar… Cortei três vezes progressivamente.

Senti aquilo mudando dentro de mim, desapegando. Estava me apaixonando pelas texturas novas. Havia dias em que eu passava horas tocando nos cachinhos.

Fiz texturização, fitagem, usei rolinho, Comprei e testei MIL cremes… gastei tanto naquele cabelo que não era mais (m)eu! O desgraçado não queria aceitar: cortei.

No dia 24 de junho foi o dia do BC. Tanta gente me apoiou. Eu chorei e não foi arrependimento. Foi por uma emoção que não conhecia. A transição capilar acabou, mas eu ainda estou em transformação. Por isso, convido as transitetes (e as cacheadas em geral) para me conhecer, descobrir, testar coisas novas e o mais importante: se conhecerem melhor comigo! Vem fazer parte dos meus Dias de Cacho!

Agradeço especialmente Janaina Lellis e Debora Lafosse, que me ajudaram a criar este blog. William Guedes e Luís Marques, incentivadores queridos. Hernane Souza, que me provou que gostar de alguém é muito mais do que gostar só da aparência de alguém.  E minha mãe Rose Dias, que me atura todos os dias. Amo vocês!

Bruna Dias 

*Crédito da imagem: Cacheadas em Transição