Conversando sobre: os 5 BCs da Betta

Conversando sobre: os 5 BCs da Betta

Uma das melhores missões do DiasdeCacho é procurar entender a relação das pessoas em transição com o cabelo delas. Esses dias, me surpreendi com a história da Roberta, ou melhor, com as transições da Betta, dona do canal e Instablog Oxente Neguinha.

Mas o que me chamou mais atenção? Ela já fez cinco BCs. Isso mesmo, cinco cortes para tirar química. Hoje ela está na sexta transição, sem pretensões de cortar. Vamos entender melhor essa história?

> De onde vem essa coragem?

– “Minha vontade é tão intensa de saber como meu cabelo realmente é, tenho tanta esperança que um dia me aceitar da maneira que eu sou e ache bonito…Mas tenho a consciência de que talvez não forme a curvatura que eu quero nos meus fios, que pode não ser da maneira que imaginei. Mesmo assim quero saber até onde isso irá! Então a resposta correta para “de onde vem essa força” é determinação e coragem. É dessa curiosidade de poder saber como tudo vai terminar, e também a esperança de, mesmo ainda não gostando do jeito que ele está, sei que um dia ele ficará do jeitinho que ele bem quer e tenho a plena certeza que vou amar tudo isso!

> 5 BCs? Foi preciso isso tudo? Conta um pouco como foi essa experiência!

oxente neguinha3– Sim. Foi preciso! Foi no São João de 2015 quando decidi que entraria em transição, a primeira… fiquei de junho até setembro, só fazendo coque e texturização. Mas, quem disse que eu tive paciência? Dia 5 de setembro de 2015, falei: Mãe, é hoje. Ela respondeu “Hoje o que menina?”E eu disse: Que eu vou cortar meu cabelo! Lá vou eu para o salão, a moça perguntou se poderia cortar tudo. Eu respondi que sim. “Tem certeza?” Respondi que sim novamente e ela começou a fazer o meu big chop.

Betta conta que a mãe dela não acreditou que ela tinha tido coragem de cortar tudo de uma só vez. Comentou no salão e continuou falando quando chegaram em casa. Aquilo deixou Roberta pra baixo.

– Já é um procedimento difícil, você ainda não tem apoio de quem você mais espera… No sábado eu tinha um trabalho fotográfico para fazer (eu era a modelo) e ela questionando como seria, pós BC. “Você vai assim?” Na época Beleza Natural estava super em alta. Adivinha ? Fui linda e plena achando que iria resolver meu pepino. Só fez piorar porque alisou tudo, dois dias depois eu coloquei mega hair, quando eu tirei, tava só o caco o cabelo.

oxente neguinha2Cortei novamente, meu segundo BC, e até então eu não parava de relaxar a raiz, na ilusão de que meu cabelo só iria ficar bom assim. Tinha a mania de ir tirando as pontas do meu cabelo, porque alisava e ficava ralo. Teve um dia que eu cortei demais, desproporcional, entrei em prantos e quis botar tranças achando que iria melhorar. Mas quando eu tirei, estava do mesmo jeito… fiz novamente BC. Repeti esse processo de tirar tranças, cortar e alisar até o quinto e último BC.

>E agora, parou? 

Há sete meses não uso nenhum procedimento químico.  Atualmente coloquei tranças boxbraids e vou ficar assim por tempo indeterminado, até me resolver com meu “amorzinho”!

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Que missão, heim, gente?! Mas vale a pena! Acompanhe a transição de Betta pelo Instagram dela! Vou repetir aqui: Oxente Neguinha | Ela também fotografa: @bettafotografias . 

Beijos,

Bruna Dias

 

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Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Seu cabelo é Crespo ou Cacheado?

Eu admiro muito quem chega chegando, respondendo com propriedade a pergunta: “Qual o seu tipo de cacho?”. Me perco entre os 3abc, 4abc… Tem hora que é difícil dizer se o cabelo é isso ou aquilo. E as duas nomenclaturas mais gerais a gente confunde muito: crespo e cacheado.

Algumas características diferenciam os fios crespos dos cacheados. E para cuidar corretamente de cada um desses tipos, é preciso descobrir: Seu cabelo é crespo ou cacheado? A principal diferente é a curvatura dos cachos, o tamanho da abertura das voltas.

crespos.png
O primeiro ponto é que o cabelo crespo é mais ressecado naturalmente. Ele tem curvinhas menores e mais apertadas, mais difíceis de definir. Precisam de bastante hidratação e nutrição (umectação). São os donos dos tipos 4abc, sendo o 4c o mais crespo e o mais volumoso, estilo black power, sem muita definição. O 4b forma um zig zag, com volume desde a raiz, e o 4a forma cachos bem fechados e pequenos.

Cacheados (4)
Os cacheados são do tipo 3abc: são cachos mais definidos. Os tipos 3a têm cachos mais abertos, largos, parecem cachos feitos com babyliss mas que estão desmanchando, sabe?! Os 3b são cachos mais fechados e 3c cachos beeem menores.

Eu já li e reli mil vezes essas infos, inclusive, fiz um post sobre isso antes. Mesmo assim, na vida real, é mais difícil saber qual cabelo é qual. Os mais fáceis de identificar são as extremidades, 3a e 4a.

Pra quem está em transição, o ideal é apostar nos cremes voltados para essa fase, porque é muito difícil saber qual o cacho, até bastante tempo depois do bc…

Me fala aí, seu cabelo é crespo ou cacheado?

Tipos de Curvatura dos Cachos
Bruna Dias

Pela segunda vez: BOXBRAIDS!

Pela segunda vez: BOXBRAIDS!

Resultado de imagem para beyonce box braidsContei pra vocês minha experiência com as Boxbraids no início do ano. Foi incrível, mas como mamãe de tranças de primeira viagem, fiz muitas besteiras. Agora escrevo novamente com o cabelo todo trançado. Isso mesmo, ao contrário da outra vez, vos escrevo com o penteado ainda de pé, passando da sua segunda semana – UHULL!!!

E porque tanta comemoração? Da última vez, arrisquei entrar na água do mar e de piscina por sete dias, não levei secador pra viagem, não dormi com touca ou fronhas de cetim, me desesperei com o frizz e tirei com exatos 16 dias de tranças.

bruna1.jpg

Agora em agosto, me surgiu a vontade de mudar, logo depois do meu aniversário. Foi meu presente pra mim mesma. Fui em um novo salão, o Iporinche, salão especializado em beleza negra, na Tijuca -RJ. Adorei o ambiente, fui super bem tratada desde a primeira ligação e agendamento.

Lá, a trancista me sugeriu tranças mais grossas e uma cor linda para mesclar, é tipo um vinho. Eu gostei muito do resultado, no começo achei meio grossa demais, mas me acostumei e acho que segurou mais meu cabelo nesses quinze dias.

Agora sigo um ritual que se fosse relacionado à comida, vocês poderiam até chamar de “gourmet“. Hahaha Cada um cuida como achar melhor e eu me sento melhor cuidando assim. A foto abaixo mostra como ele está hoje e como estava na primeira vez que botei trança, com mesmo tempo (16 dias) cada foto.

bruna.jpg

Cuidados: Lavo de 4 em 4 ou 5 em 5 dias. Coloco um pouco de shampoo no borrifador, misturo com bastante água e vou borrifando na cabeça. Depois enxáguo tirando tudo e sem passar condicionador. Coloco uma toalha por um bom tempo, depois deixo ele secar livremente.
Não uso cremes, as vezes uso tônico de alho para segurar a oleosidade. Durmo com fronha de cetim para conter o frizz. Prendo poucas vezes no alto da cabeça, pra não desmanchar ou puxar muito na frente.

O saldo é positivo: estou firme e forte. Porém a saudade é grande: quero meu black de voltaaaa! Por isso, devo tirar no dia 01 de setembro. Coloquei no dia 28 de julho. Mal vejo a hora de olhar meu black ❤

É isso, dúvidas ou sugestões me conta nos comentários!

bjs,

Bruna Dias

Conversando sobre: a transição de Bruna

Conversando sobre: a transição de Bruna

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Conheci uma xará que também está em transição, lá em São Paulo. A Bruna Luiza ainda é tímida nas redes, mas escreve muito bem e não deixa de falar da sua relação com o cabelo no Bru_Cacheia. As texturizações (perguntem o segredo à ela) ficam perfeitas! Eu já a vejo completamente cacheada.

A transição da Bru é diferente das outras que conheci. Por conta de estresse emocional e ansiedade, o cabelo foi caindo, afinando e perdendo a textura. Bru começou a tomar vitaminas que estavam faltando no seu organismo (Vitamina D e Zinco), se cuidar, e então entrou no processo de transição para o cabelo cacheado. Desde 2017 o cabelo não cai mais. Assim, a chapinha virou sua aliada para sair de casa.

bru2.png“Estou com 9 meses de transição. Fazer chapinha é triste pra mim, porque eu sei que danifica meus cachinhos que estão florescendo. Mas, faço escova em casa com medo das escovas dos salões, de alisar devido a alguma coisa química que possa ter, e como não sei secar direito acabo finalizando bem mais com a chapinha. Isso quando não passo chapinha todos os dias. Essa foi a forma que encontrei para passar pela transição porque não consigo sair com ele “natural”, comenta.

Quando não faz escova em casa, Bruna opta pelas tranças box braids. E gente, ela fica linda de qualquer jeito! Já é a quarta vez que ela usa as tranças para ajudar a passar pelo processo e também para ver resultado no crescimento, enquanto toma coragem para fazer o sonhado big chop.

“Antes de colocar tinha medo preconceito que poderia correr, dos olhares rsrs, mas hoje me sinto linda e bela de cabelão trançado, fora que ajuda muito na transição né, já que posso ficar longe da chapinha por um tempo​. Por isso fiz as tranças, pois ajudam no crescimento e fora a praticidade, acordo já estou pronta!, diz.

Bru, a hora do big chop vai chegar e você mais do que ninguém vai perceber. Não precisa ter pressa. Vamos com tudo! Qualquer coisa, estamos aqui ❤

Bruna Dias
Hidrata, querida!

Hidrata, querida!

bridgid_ryan-nappy-As donas dos cabelos crespos e cacheados já sabem: hidratação salva. Aquela rotina de pegar o creme, usar uma touquinha (ou sacola de plástico mesmo rs) e esperar os trinta minutos milagrosos realmente faz bem pro nossos fios. É nessa hora que colocamos nosso cabelitcho pra recuperar a queratina e as proteínas perdidas.

O cabelo crespo é naturalmente mais ressecado. A hidratação, quando bem feita, devolve o brilho para os cabelos e aparência de fios mais saudáveis. Além disso, ajuda a reduzir o frizz e consequentemente, melhora a definição dos cachos. Ideal fazer o procedimento pelo menos uma vez no mês (depende do tipo de cronograma que você montar também).

Eu amoooo hidratar. É páreo com a nutrição (que também ajuda muito no ressecamento).

Alguns cremes são meus favoritos (Haskell Mandioca, Quina Rosa, Amigo de Milho e Desmaia Crespíssimo da Salon Line), mas também sou fã das receitinhas caseiras ❤

Ah, a foto linda que ilustra esse texto é de @bridgid_ryan , encontrei no https://www.nappy.co/  . Depois falo mais sobre esse site, é um banco de imagens somente com fotos de pessoas negras. Show, né?! ❤

Bruna Dias

Nota sobre meu bigchop

Nota sobre meu bigchop

Ontem eu e meu cabelo completamos 365 dias curtinhos. Isso mesmo, fiz um ano de bigchop. Já falei tanto sobre ele, que decidi escrever só uma declaração. A transição é uma escolha feliz e sofrida. E a decisão do grande corte também. Ninguém deve se sentir pressionado a fazê-lo, bem como ninguém deve ser obrigado a entrar em transição.

O bigchop, pra mim, foi tudo aquilo que disseram: uma vontade, uma libertação, a melhor coisa que fiz durante toda transição. Com apenas 6 meses, já parecia impossível viver com duas texturas.

Hoje vejo como meu cabelo cresceu muito mais rápido depois do corte e como eu consegui cuidar melhor dele. O principal é olhar no espelho e não precisar me preocupar com as partes lisas. O bigchop é como aquela imagem que todas as meninas em transição já devem ter visto: você tira tudo que cobre você e, de repente, você floresce.

Bom bigchop para todas que decidirem que é a hora. Um ano depois não tenho vergonha de admitir que fui corajosa.

Beijos,

Bruna Dias

Transição capilar e (é) amor próprio

Transição capilar e (é) amor próprio

Fiz tópicos sobre temas que eu gostaria de escrever até o dia em que completaria 1 ano de big chop (24 de junho). Um deles é “aceitação”. Eu acho que não sou a melhor pessoa para falar sobre isso. E talvez por isso, eu seja uma boa pessoa para falar sobre. Aceitação é assim. Nunca me achei no lugar para falar. Apesar de sempre ter achado um absurdo tudo que fazem contra alguém (contra mim) apenas pela pessoa não estar dentro de padrões, eu não me sentia confortável para confrontar situações do tipo. Porque eu nunca me reconheci. Restringindo o assunto ao tema cabelo, nunca aceitei o meu. Achava muito cheio, não definido, estranho, feio. Os tratamentos químicos foram a solução para toda minha insegurança com meus cachos. Foram aproximadamente quatro anos alisando e muitos outros antes fazendo relaxamentos.

A transição capilar esbarrou em uma série de problemas que eu tinha comigo mesma, mas que nunca tinha falado em voz alta, para que eu mesma pudesse me ouvir.  E então a transição foi muito mais do que uma mudança de cabelo. O que mais me surpreende é que eu lembro claramente dos momentos em que eu recusava qualquer pensamento sobre cortar ou parar de alisar o meu cabelo. Tento encontrar uma linha de divisão entre não querer e ter a certeza de que queria mudar. De que precisava mudar. Nunca encontro, acho que ela não existe. Vi muita gente, muita mulher negra mostrando para ela e para o mundo como ela era linda e incrível com seu cabelo, com sua cor, com seu volume. Acredito que foi um reconhecimento no outro. Essas imagens montaram um esquema de identificação na minha cabeça e o resultado foi: você pode ser feliz sendo… você.

E é por isso que estou escrevendo este texto. Quando digo que me sinto mais negra hoje, não quer dizer que você que alisa, seja menos negra que eu. Essa relação não faz sentido e não existe. Quando eu  digo que me sinto mais negra que nunca, quero dizer que eu, Bruna Dias, me reconheço como negra, me sinto representada, representando, tudo junto e misturado. Tenho consciência da minha cor, das milhares de conclusões precipitadas que as pessoas tiram antes mesmo de me conhecer, dos comentários negativos, do preconceito. Mais importante do que isso, tenho plena consciência de que eu quero falar com outras pessoas que são como eu sou, essas querem me ouvir, elas precisam se reconhecer em mim ou em outras como nós, elas precisam saber que podem ser apenas elas mesmas.

Às meninas brancas que estão em transição, meu respeito não é menor. Não podemos comparar, porque comparar é diminuir. Desejo força e, acima de tudo, a sensibilidade de perceber que o motivo para que vocês não aceitassem o cabelo cacheado também é o preconceito. E que por isso: Nada de diminuir a transição das outras. Nada de colocar a transição como um simples desejo de mudar. É mais do que isso, mesmo que você ache que não.

Hoje eu sinto que o tempo passou muito rápido, meu cabelo cresceu e continua crescendo e minha dedicação é cada dia maior. Não sou uma mulher completamente engajada, mas entendo que qualquer gesto é importante.

A transição até hoje foi o maior abraço que eu me dei. Com muitos altos e baixos, episódios de amor e ódio. Mas, com certeza, um grande carinho e aplicação na prática de amor próprio.

Beijos,

Bruna Dias